A livraria e espaço cultural À Margem, inaugurada em agosto de 2023 no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte, enfrenta um duro golpe. O estabelecimento foi severamente atingido por enxurradas que descem a Rua Itapecerica, um problema histórico na região Noroeste da capital, que se agrava a cada verão.
O acervo de livros e discos de vinil, parte essencial da identidade do local, sofreu danos significativos com a invasão das águas. O proprietário, Christian Coelho, escritor e professor de literatura, relatou a situação em um vídeo que mostra a extensão dos estragos.
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A luta para se reerguer
Coelho explicou que muitos itens, incluindo doações recém-recebidas e ainda em processo de organização, estavam armazenados no chão, uma prática comum em sebos devido à grande quantidade de material. A água atingiu diretamente essas caixas, comprometendo boa parte do estoque.
Diante da adversidade, uma campanha de solidariedade foi lançada para arrecadar fundos. O objetivo é não apenas repor o material perdido, mas também investir em estruturas de proteção para o espaço, visando evitar futuras perdas em momentos de chuva intensa, um fenômeno cada vez mais comum e impactante em Belo Horizonte.
Um refúgio cultural na Lagoinha
A livraria À Margem foi concebida com o propósito de ser um polo literário e cultural na Lagoinha, um bairro com rica história para Belo Horizonte. A região é conhecida por ter sido o berço da primeira escola de samba e dos primeiros blocos de carnaval da cidade, além de abrigar a Pedreira Prado Lopes, considerada o berço do samba na capital.
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O espaço buscava suprir a carência de locais dedicados à cultura e ao encontro na área, especialmente em regiões consideradas periféricas e com forte identidade histórica. A livraria já recebia debates literários e rodas de choro, promovendo a interação e o intercâmbio cultural.
Problema crônico na Rua Itapecerica
Os alagamentos na Rua Itapecerica não são novidade para os moradores e comerciantes da Lagoinha. Christian Coelho citou Lima Barreto para ilustrar a persistência do problema, que assola a região há anos sem uma solução definitiva por parte do poder público.
Moradores locais, como os membros da associação Viva Lagoinha, fundada há 18 anos, têm buscado soluções e pressionado por intervenções. A associação foca em economia criativa e aponta problemas estruturais e o acúmulo de lixo nas vias como causas dos alagamentos, que entopem as galerias pluviais.
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Posicionamento dos órgãos públicos
Procurada, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que a limpeza de sarjetas é realizada diariamente pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), e as bocas de lobo são limpas periodicamente pela Gerência Regional de Manutenção Noroeste.
A Defesa Civil da capital informou que não foi acionada durante o incidente na livraria e reforçou que o órgão atende 24 horas pelo número 199. Já a Copasa, por meio de nota, informou que não havia registro de problemas em suas redes de água ou esgoto no local e que a questão se refere à rede pluvial, de responsabilidade da prefeitura.
A campanha de solidariedade para a livraria À Margem continua aberta. Doações podem ser feitas via PIX pela chave amargemlivros@gmail.com. Mais informações podem ser encontradas no perfil do Instagram @amargemlivros.
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Fonte: O Tempo