A poucas semanas de deixar o Palácio Tiradentes para se dedicar à campanha presidencial, o governador Romeu Zema (Novo) acelera uma agenda de entregas com forte viés eleitoral. Nesta terça-feira (13), Zema esteve presente no primeiro teste operacional do novo trecho da Linha 1 do metrô de Belo Horizonte, que se estende da estação Eldorado até a futura estação Novo Eldorado, em Contagem, na Região Metropolitana de BH.
Expansão histórica do metrô mineiro
Acompanhado pelo vice-governador Mateus Simões (PSD), que já é anunciado como candidato ao governo de Minas, Zema inspecionou um segmento de 1,6 quilômetro de trilhos. Esta expansão marca a primeira ampliação da malha metroviária de Belo Horizonte em mais de duas décadas, sendo uma etapa técnica crucial para a inauguração da nova estação ainda neste mês.
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A estação Novo Eldorado será a 20ª da Linha 1, conectando Contagem à região Norte da capital mineira. O trecho é também a porta de entrada para a tão aguardada Linha 2 do metrô, uma promessa recorrente nos discursos de Zema, especialmente durante sua campanha de reeleição em 2022. A cerimônia reforça a associação de sua imagem a um dos projetos de mobilidade urbana mais demandados pela população da Grande BH.
Agenda eleitoral e sucessão estadual
Com a saída de Zema para a disputa presidencial, Mateus Simões assume o comando do governo estadual durante o período eleitoral. Uma pesquisa recente revelou que a dupla intensificou a agenda pública, mais do que dobrando o número de compromissos oficiais e expandindo a presença pelo interior do estado. Zema declarou que permanecerá no cargo até o prazo legal mais próximo da eleição, em 4 de abril.
O longo caminho da Linha 2 do Metrô-BH
A inauguração do novo trecho ocorre em um setor historicamente marcado por promessas não cumpridas e projetos engavetados. A construção da Linha 2 do metrô de BH é uma demanda antiga e um desejo da população da capital e de sua região metropolitana. Em 2020, o então presidente Jair Bolsonaro chegou a anunciar a viabilização da obra, com um custo estimado na época de R$ 1,2 bilhão. No entanto, o investimento federal foi retirado após conversas com o Ministério da Economia, comunicando a desistência pelo então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.
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Privatização como solução para destravar investimentos
Zema construiu parte central de sua narrativa política na defesa da privatização do metrô como solução para destravar investimentos e encerrar um ciclo de promessas vazias. O sistema, que era operado pela estatal federal CBTU, exigiu um complexo arranjo político e jurídico para a concessão.
O processo ganhou força na campanha de 2022, quando Zema e o então presidente Jair Bolsonaro assinaram a privatização do metrô de BH, utilizando R$ 428 milhões do acordo com a Vale referente às reparações pelo rompimento da barragem de Brumadinho. Este ato simbolizou a convergência entre o projeto liberal de Zema e a estratégia de Bolsonaro para ampliar sua influência eleitoral em Minas Gerais.
Recursos públicos e contrapartida privada
Além do aporte estadual, o Congresso Nacional destinou R$ 2,8 bilhões para a desestatização da CBTU, modernização da Linha 1 e financiamento da Linha 2, que ligará o Barreiro ao restante da cidade. Somados, os recursos públicos ultrapassam R$ 3 bilhões, direcionados à concessionária privada responsável pelo sistema.
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Leilão controverso e concessão mantida
O leilão de privatização, realizado em dezembro de 2022, contou com apenas um interessado: a paulista Comporte Participações S/A, que arrematou o metrô por R$ 25,7 milhões, com ágio de 33% sobre o lance mínimo. O valor foi considerado baixo por críticos, contrastando com os R$ 3,2 bilhões em investimentos públicos previstos no edital, enquanto a contrapartida privada obrigatória ficou em cerca de R$ 500 milhões.
A concessão enfrentou forte contestação política e jurídica, com questionamentos de parlamentares mineiros, do Partido dos Trabalhadores e do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Apesar das controvérsias, o governo Lula manteve o contrato, e a operação do metrô agora está sob responsabilidade da Metrô BH, empresa do grupo Comporte. A previsão oficial é que as novas estações da Linha 2 comecem a ser inauguradas a partir de 2026, com conclusão total em 2028.
Fonte: Estado de Minas
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