Ação dos EUA na Venezuela pode fortalecer o chavismo, avaliam fontes do governo Lula

Ação dos EUA na Venezuela pode fortalecer o chavismo, avaliam fontes do governo Lula

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na deposição de Nicolás Maduro, pode gerar um efeito paradoxal. Em vez de acelerar o fim do chavismo, a intervenção, considerada ilegal por diversos países, incluindo o Brasil, pode abrir uma janela de oportunidade para setores remanescentes do regime […]

Resumo

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na deposição de Nicolás Maduro, pode gerar um efeito paradoxal. Em vez de acelerar o fim do chavismo, a intervenção, considerada ilegal por diversos países, incluindo o Brasil, pode abrir uma janela de oportunidade para setores remanescentes do regime se reorganizarem política e economicamente.

A percepção em Brasília é que, com a saída de Maduro e a ausência de perspectivas de eleições de curto prazo, parte do establishment chavista pode enxergar o novo cenário como uma chance de recomposição. Um dos caminhos apontados é a reativação do setor petrolífero venezuelano.

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Reorganização econômica e social como trunfo político

A produção de petróleo, atualmente em torno de 700 mil barris por dia, poderia ser impulsionada. Caso a Venezuela consiga aumentar essa produção para um ou dois milhões de barris diários e administrar parte desses recursos, mesmo sob algum nível de controle americano, haveria espaço para a implementação de políticas sociais mínimas.

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Segundo essa leitura, uma melhora relativa nas condições de vida da população poderia ter um impacto político relevante. Se os cidadãos perceberem uma melhora em seu cotidiano, o discurso chavista de que o sofrimento era resultado de sanções e do imperialismo americano poderia ganhar força novamente, tornando setores ligados ao chavismo eleitoralmente competitivos.

Soberania e precedente perigoso

A operação americana, iniciada em 4 de janeiro com um ataque militar a Caracas, é vista pelo governo brasileiro como uma ruptura de princípios básicos de soberania e integridade territorial. Esse precedente preocupa governos críticos a Maduro, que, apesar de considerarem o líder venezuelano um ditador, veem com apreensão um presidente sequestrado por uma potência estrangeira.

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O atual presidente interino da Venezuela é Delcy Rodriguez, ex-vice-presidente de Maduro. A situação é complexa, e a impressão de alguns auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o regime pode capitalizar a instabilidade.

Cenário incerto e divergências internas nos EUA

O desfecho da crise venezuelana permanece em aberto, dependendo tanto da dinâmica interna do país quanto das disputas políticas dentro do próprio governo americano. Fontes em Brasília indicam que há divergências entre setores mais linha-dura, favoráveis ao confronto, e outros mais cautelosos, preocupados com o risco de instabilidade prolongada, guerra civil ou impactos eleitorais nos Estados Unidos.

O desgaste do regime chavista é profundo, após mais de duas décadas no poder e uma crise humanitária que forçou milhões de venezuelanos a deixarem o país. Estima-se que cerca de 9 milhões de pessoas tenham emigrado, e nem todos são de direita, ressaltam interlocutores.

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A complexidade do cenário é destacada por diplomatas, que afirmam ser um jogo difícil de antecipar e que a história ainda não está escrita. A possibilidade de o chavismo se reerguer, mesmo que de forma modificada, surge como uma alternativa real diante da intervenção externa e da fragilidade institucional.

Fonte: G1

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