O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou à BBC que percebe uma “ameaça real” de uma intervenção militar dos Estados Unidos contra seu país. Petro interpretou as ações e declarações do governo americano como um tratamento de outras nações como meras extensões de um “império” dos EUA, um comportamento que, segundo ele, pode levar o país norte-americano ao isolamento global.
Tensões Crescentes e Acusações Graves
As declarações de Petro surgem em um contexto de escalada retórica após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter sugerido que uma ação militar contra a Colômbia “parece uma boa ideia”. Trump também teria instruído Petro a “cuidar do próprio traseiro”, comentários que o líder colombiano condenou veementemente.
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Petro elevou o tom ao acusar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) de agirem como “brigadas nazistas”. Essa comparação surge em resposta à intensificação das operações do ICE sob o governo Trump, voltadas ao combate à imigração ilegal e ao crime, que resultaram em um aumento significativo nas deportações e detenções de imigrantes.
Diálogo Televisivo e Persistência das Divergências
Apesar de uma conversa telefônica entre Petro e Trump ter sido descrita por um funcionário colombiano como uma mudança de 180 graus na retórica de ambos os lados, com Trump anunciando um futuro encontro na Casa Branca, a entrevista de Petro à BBC sugere que as divergências permanecem profundas.
Durante a ligação, que Petro descreveu como majoritariamente ocupada por ele, os temas centrais foram o narcotráfico na Colômbia, a visão do país sobre a Venezuela e a relação geral da América Latina com os Estados Unidos. Petro reiterou suas críticas à política migratória americana, enfatizando o impacto negativo das ações do ICE.
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O Papel do ICE e o Contexto Migratório
O ICE, responsável pela aplicação das leis de imigração nos EUA, tem ampliado suas operações, com o governo Trump atribuindo à imigração a responsabilidade por crimes e pelo tráfico de drogas. Dados indicam que milhões de imigrantes foram deportados ou “autodeportaram-se” em 2025, enquanto dezenas de milhares permaneciam detidos.
Um incidente recente em Minneapolis, onde um agente do ICE matou a tiros uma cidadã americana, intensificou o debate sobre a atuação da agência. Petro citou este evento como prova de que o ICE “mata cidadãos dos EUA”, além de perseguir latino-americanos.
Histórico de Tensões e a Visão Colombiana
Petro e Trump possuem um histórico de confrontos verbais, muitas vezes através das redes sociais. O presidente colombiano já acusou os EUA de buscarem guerras por recursos naturais, como petróleo e carvão, e criticou o abandono do Acordo de Paris, argumentando que isso contribui para conflitos globais.
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Em relação a uma potencial ação militar, Petro mencionou a perda histórica de territórios colombianos, como o Panamá, como um precedente preocupante. Ele afirmou que a “possibilidade de eliminar [a ameaça] depende das conversas em andamento”, mas advertiu que a Colômbia, embora sem defesas antiaéreas robustas, tem a capacidade de resistir através de seu povo e de seu território montanhoso e selvagem, “como sempre fez”.
Interferência e Luta Contra o Narcotráfico
Petro também abordou a situação na Venezuela, confirmando conversas com autoridades venezuelanas e convidando a presidente interina, Delcy Rodríguez, para visitar a Colômbia. Ele denunciou a interferência de agências de inteligência estrangeiras na Venezuela e em seu próprio país, afirmando que qualquer atuação na Colômbia deve se restringir ao combate ao narcotráfico.
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, enfrenta desafios persistentes no combate ao tráfico. Petro defende sua política de “paz total”, que busca negociar com grupos armados e, simultaneamente, realizar ofensivas militares contra aqueles que não aderem ao diálogo. Ele argumenta que essa abordagem tem levado a reduções no cultivo de coca e na taxa de homicídios em certas regiões, visando “desescalar a violência”.
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Trump, por sua vez, já classificou Petro como “um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, alegações que Petro nega, destacando sua longa luta contra os cartéis de drogas.
Fonte: BBC News