O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comandará nesta quinta-feira (8.jan.2026) uma cerimônia no Palácio do Planalto para assinalar os três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O evento tem como principal objetivo formalizar o veto presidencial a um projeto de lei que flexibilizava a dosimetria das penas para os condenados pelos atos, medida que beneficiaria diretamente envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
A programação está dividida em duas frentes. Internamente, no Salão Nobre do Planalto, ocorrerá um ato formal com a presença de autoridades dos Três Poderes e convidados. Externamente, na Via N1, movimentos sociais e militantes do PT acompanharão a cerimônia por meio de um telão, em uma demonstração de apoio popular.
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Veto presidencial e defesa da democracia
O veto de Lula ao projeto da dosimetria das penas é visto como um movimento político crucial para reafirmar o compromisso do governo com a punição dos responsáveis pelos ataques de 2023. A proposta, que gerou divisão no Congresso, tinha o potencial de reduzir significativamente as sentenças de condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), articuladora política do evento, destacou em redes sociais que o julgamento e a condenação dos golpistas representam uma vitória da soberania nacional e do Estado Democrático de Direito.
O discurso presidencial deve focar na defesa da democracia e da soberania nacional, evitando menções diretas a questões diplomáticas sensíveis, como a recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, e buscando manter um tom de paz e estabilidade institucional.
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Ausência de lideranças do Congresso
A ausência dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no ato do Planalto é esperada e reflete as tensões políticas existentes, especialmente em torno do projeto de dosimetria das penas. A situação se repete em relação a 2023, quando ambos também não compareceram à cerimônia.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, está em Brasília, mas optou por não participar. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cumpre agenda em seu estado natal, o Amapá. A ausência dessas lideranças reforça o caráter político do evento organizado pelo Executivo.
Enquanto isso, o Poder Judiciário, representado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), organizou uma programação paralela ao longo do dia. A Corte promoverá uma exposição, exibição de documentário e debates sobre o tema. O presidente do STF, Edson Fachin, e o ministro Gilmar Mendes confirmaram presença. O ministro Alexandre de Moraes, relator de processos cruciais sobre os ataques golpistas, não participará do ato no Planalto.
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Estrutura e mobilização
A organização do evento no Palácio do Planalto é de responsabilidade da Presidência da República. A programação oficial e a lista completa de autoridades confirmadas ainda não haviam sido divulgadas até a véspera do ato.
Paralelamente, movimentos sociais e o PT organizam uma mobilização nacional, com manifestações em todas as capitais do país. Em Brasília, a organização é liderada pelo PT Nacional, pelo diretório do Distrito Federal e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio da Secretaria-Geral da Presidência.
Após a cerimônia oficial, a expectativa é que Lula desça a rampa do Palácio do Planalto para cumprimentar o público presente na área externa, repetindo uma tradição de seu governo. Caso o presidente o faça, os ministros presentes o acompanharão. Do contrário, o ato será encerrado após a cerimônia interna.
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O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) ressaltou que o foco do ato é a defesa da democracia e a condenação do golpismo, sendo o primeiro 8 de Janeiro após a condenação e prisão dos envolvidos. Ele também mencionou que temas como soberania nacional e defesa da paz, que ganharam força após recentes eventos internacionais, estarão presentes como complementos na defesa de um Brasil democrático e soberano.
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