Carnabelô: O reencontro da folia dos anos 90 que traz o axé da Bahia de volta a BH

Carnabelô: O reencontro da folia dos anos 90 que traz o axé da Bahia de volta a BH

Belo Horizonte se prepara para uma viagem nostálgica ao passado do seu Carnaval. Quase três décadas após sua última edição, o ‘Carnabelô’, evento que levava grandes trios elétricos e o axé music da Bahia para a Avenida Afonso Pena, ganhará um reencontro especial. A festa, batizada de ‘É Saudade Que Bate No Meu Coração’, acontece […]

Resumo

Belo Horizonte se prepara para uma viagem nostálgica ao passado do seu Carnaval. Quase três décadas após sua última edição, o ‘Carnabelô’, evento que levava grandes trios elétricos e o axé music da Bahia para a Avenida Afonso Pena, ganhará um reencontro especial. A festa, batizada de ‘É Saudade Que Bate No Meu Coração’, acontece no dia 31 de janeiro e promete resgatar a atmosfera vibrante das micaretas que dominaram a capital mineira nos anos 90.

A Era de Ouro das Micaretas em BH

O Carnabelô surgiu em 1994, inspirado pelo sucesso estrondoso do Carnaval de Salvador e pela ascensão das micaretas em todo o país, como Carnatal, Fortal e Recifolia. A capital mineira não ficou de fora dessa tendência, e a primeira edição do Carnabelô foi um marco histórico. Leonardo Dias, idealizador do evento, relembra a energia contagiante.

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“O axé estava em plena ascensão, o Carnaval da Bahia era uma referência nacional”, conta Dias. Ele e seu sócio, Froilan, se inspiraram após conhecerem o Recifolia em Recife. A proposta era trazer essa festa para Belo Horizonte, e o público respondeu com entusiasmo.

Um Mar de Gente na Afonso Pena

A primeira edição do Carnabelô, em junho de 1994, tomou conta da Avenida Afonso Pena. Atrações como Netinho, Cheiro de Amor com Márcia Freire e Ricardo Chaves animaram uma multidão estimada pela Polícia Militar em cerca de um milhão de pessoas. A dimensão do evento era tamanha que, visto de cima, o asfalto da avenida mal podia ser visto.

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Essa demonstração massiva de foliões ajudou a desmistificar a ideia de que belo-horizontinos não gostavam de Carnaval. “Ali ficou claro que BH ama Carnaval”, afirma Dias, emocionado com a lembrança.

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Memórias de uma Geração

Para muitos que viveram aquela época, o Carnabelô é sinônimo de memórias afetivas. Raquel Azevedo, hoteleira de 42 anos, recorda a expectativa anual pelo evento.

“A gente esperava o ano todo pelo Carnabelô. Vinham as principais bandas baianas, como Asa de Águia, Chiclete com Banana, Cheiro de Amor, Netinho… Enfim, só gente bacana daquela época”, relata. Ela descreve a experiência como estar em Salvador, com camarotes, pipoca e o uso de abadás que simbolizavam a identidade dos blocos.

Cristina Costa, 59 anos, também guarda boas recordações. Ela conta que pulou em blocos como Cheiro de Amor e Asa de Águia, chegando a trocar de abadá no meio da festa para curtir o Chiclete com Banana. Hoje, ela participa do Carnaval de BH tocando em blocos que homenageiam esses grupos.

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Do Abadá ao Carnaval de Rua Democrático

Nos anos 90, o Carnabelô era viabilizado pela iniciativa privada, principalmente através da venda de abadás, camarotes e patrocínios. O abadá, para muitos, representava um símbolo de pertencimento e paixão pela festa.

Ao longo de suas edições, o evento ocorreu na Avenida Afonso Pena, em Contagem e no Parque da Gameleira. Com o tempo e as mudanças nas regulamentações para eventos de rua em Belo Horizonte, o formato evoluiu para festivais em espaços fechados, como o Axé Brasil.

Atualmente, o Carnaval de BH se consolidou como uma das maiores e mais democráticas festas do país, com forte investimento público em políticas culturais. A festa é gratuita, aberta e acessível a todos os públicos, transformando a paisagem urbana da capital mineira em um palco vibrante.

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O Reencontro: É Saudade Que Bate No Meu Coração

A ideia do reencontro surgiu de forma orgânica, impulsionada por conversas em grupos de WhatsApp entre organizadores e foliões da época. A saudade se transformou em um movimento para reviver a energia do Carnabelô.

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O evento ocorrerá no entorno do Estádio do Mineirão, com concentração na Avenida Abrahão Caran, em frente a um posto de combustíveis. É importante ressaltar que não se trata de uma réplica exata do Carnabelô dos anos 90, mas sim de um reencontro dos blocos e artistas que fizeram parte daquela história, dentro do atual formato do Carnaval de rua de Belo Horizonte.

A programação contará com o Bloco Come Queto, com Reinaldinho (ex-Terra Samba), o Bloco Belo Pirô, com a banda Cheiro de Amor, e o Bloco Uai, com Tuca Fernandes. A festa começa às 13h, com as apresentações a partir das 14h.

“São três blocos, três artistas e três histórias profundamente ligadas à cidade. Mais do que uma programação, é um reencontro de memórias que ajudaram a construir o carnaval que Belo Horizonte vive hoje”, conclui Dias.

Serviço:

Data: Sábado, 31 de janeiro

Horário: A partir das 13h

Local: Entorno do Estádio do Mineirão

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Concentração: Avenida Abrahão Caran, em frente a um posto de combustíveis

Evento gratuito.

Fonte: O Tempo

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