A Rússia deslocou um submarino e outras embarcações navais para escoltar o petroleiro Bella 1, que está sob mira dos Estados Unidos enquanto se dirige à Venezuela. A informação foi divulgada pelo Wall Street Journal, citando uma autoridade americana, em um novo capítulo da escalada de tensões no Mar do Caribe.
Perseguição e Pedido Diplomático
Forças dos EUA perseguem o navio, identificado por entidades marítimas como Bella 1, há aproximadamente duas semanas. Segundo a Reuters, a embarcação é alvo de sanções e já havia sido objeto de uma tentativa de apreensão no domingo anterior. Este seria o terceiro navio que os Estados Unidos tentam interceptar na região.
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Na semana passada, o Kremlin já havia solicitado formalmente aos EUA que interrompessem a perseguição ao petroleiro. O pedido diplomático foi feito na quarta-feira anterior à divulgação da notícia. Até o momento, a Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e o governo russo não comentaram oficialmente o caso.
Alegações e Mudança de Bandeira
De acordo com o New York Times, o Bella 1 partiu do Irã com destino à Venezuela para carregar petróleo e foi interceptado por forças norte-americanas no Mar do Caribe. Os EUA alegam que o navio operava sem uma bandeira nacional válida, o que, segundo a interpretação americana, o submeteria ao direito internacional para abordagem.
Nos dias seguintes à interceptação, o navio teria tentado obter proteção da Rússia, pintando uma bandeira no casco e informando por rádio à Guarda Costeira dos EUA que navegava sob autoridade russa. O Bella 1 passou a constar recentemente no registro oficial de navios da Rússia, com o novo nome Marinera e porto de origem indicado em Sochi.
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Contexto das Sanções Americanas
A ação ocorre em um contexto de aumento da pressão dos EUA sobre o governo venezuelano de Nicolás Maduro. Na mesma semana em que o pedido russo foi feito, os EUA impuseram sanções a quatro empresas que operam no setor de petróleo da Venezuela, além de petroleiros associados. Essas medidas fazem parte de uma estratégia para pressionar economicamente Caracas.
Recentemente, a Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrassem esforços na aplicação de um bloqueio ao petróleo venezuelano por um período de dois meses. O objetivo, segundo um funcionário norte-americano ouvido pela Reuters, é priorizar a pressão econômica, e não militar, para forçar concessões do governo de Maduro.
Pressão sobre Maduro e Presença Militar
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado Maduro, em conversas reservadas, a deixar o país, tendo afirmado publicamente que seria “inteligente” o venezuelano abandonar o poder. A avaliação do governo dos EUA é que, sem ceder às exigências de Trump, a Venezuela pode enfrentar um colapso econômico ainda mais severo.
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Em dezembro anterior, a Guarda Costeira dos EUA já havia interceptado dois petroleiros no mar do Caribe carregados com petróleo venezuelano. Autoridades norte-americanas estariam aguardando reforços para tentar concretizar a apreensão do Bella 1.
Essa intensificação da pressão ocorre em meio a uma significativa presença militar dos Estados Unidos no Caribe, com mais de 15 mil soldados, um porta-aviões, onze navios de guerra e caças F-35. Os EUA afirmam que esses meios militares são utilizados para reforçar as sanções econômicas impostas à Venezuela.
Fonte: Wall Street Journal
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