Familiares e amigos se despediram, nesta quinta-feira (1º/1), de Cinthya Micaelle Soares Roliz, 28 anos, brutalmente assassinada pelo ex-companheiro enquanto dormia com a filha de 5 anos. O crime ocorreu no bairro Jardim América, região Oeste de Belo Horizonte, na madrugada de 31 de dezembro.
Segundo relatos da avó de Cinthya, Maria Isabel Fernandes Soares, 69 anos, a neta vivia sob constante medo e perseguição do agressor, que não aceitava o fim do relacionamento. A vítima já havia registrado um boletim de ocorrência e possuía uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que se tornou foragido após o crime.
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Medo constante e planos de fuga
Cinthya havia se mudado para a casa da avó há cerca de quatro meses buscando refúgio da violência e dos abusos. “Ela passou a morar lá porque estava fugindo das agressões, da violência e dos abusos dele. O plano dela era sair do Brasil, porque qualquer lugar que fosse ele ia perseguir”, afirmou Maria Isabel.
A avó descreveu a perseguição como diária e implacável. “Todos os dias ele estava perseguindo: na rua, na porta do trabalho, na porta de casa. É perseguição”, relatou, visivelmente abalada.
Medida protetiva ineficaz
Apesar da medida protetiva, o mecanismo de segurança se mostrou ineficiente diante da ação do agressor. Na manhã de quarta-feira (31/12), Maria Isabel ouviu os disparos vindos do andar superior da residência. “Só escutei os barulhos dos tiros. Foram uns seis tiros”, contou.
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Cinthya foi morta no quarto, ao lado da filha de 5 anos, que testemunhou a cena. A menina não sofreu ferimentos físicos, mas o trauma psicológico é imensurável. “O mais triste é ouvir ela dizer: ‘Vovó, vamos ver a mamãe’. Agora a gente fala que a mamãe virou estrelinha”, desabafou a mãe de Cinthya, Angela Fernandes Soares, 48 anos.
Agressor obsessivo e ameaças explícitas
O casal estava separado há aproximadamente três meses, mas o agressor demonstrava comportamento obsessivo e controlador. “Ele não deixava ela ter amizade, não deixava ver ninguém. Quase não deixava ela nem ir à minha casa. Ele era obsessivo, louco. Não trabalhava. Só sabia trair e bater”, disse Angela.
A mãe da vítima relatou ainda que o homem fazia ameaças diretas e explícitas. “Ele falou comigo que ia estourar a cara da minha filha, que só ia dar tiro no rosto. E ele cumpriu”, revelou, indignada.
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Fuga e clamor por justiça
Após cometer o feminicídio, o ex-companheiro de Cinthya fugiu e é considerado foragido pela polícia. A família clama por justiça e expressa o sentimento de impotência diante da recorrência de casos de violência contra a mulher em Belo Horizonte e no Brasil. “Até quando vai ficar assim? Ela tinha medida protetiva e não adiantou”, questionou a avó.
O caso reacende o debate sobre a eficácia das medidas de proteção e a necessidade de políticas públicas mais robustas para combater a violência doméstica e o feminicídio na capital mineira.
Fonte: O Tempo
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