O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda a aquisição de um novo avião presidencial após uma série de incidentes com a aeronave atual, que geraram preocupação com a segurança e a autonomia de voo.
A decisão, no entanto, esbarra em dois fatores cruciais: o alto custo da aeronave, estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, e o potencial desgaste político em um ano eleitoral.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Aliados do presidente já manifestam receio de que a compra possa ser mal interpretada pela opinião pública, especialmente em um contexto de disputa pela reeleição.
A intenção de trocar o avião parte da insatisfação de Lula e da primeira-dama, Janja, com as limitações da atual aeronave, o Airbus A319CJ, apelidado de “Aerolula”.
O presidente deseja um equipamento com maior autonomia para voos internacionais, mais espaço para reuniões, uma área VIP e um quarto mais confortável, com cama.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Busca por aeronave adequada enfrenta desafios
O comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, tem enfrentado dificuldades para encontrar no mercado internacional aeronaves que atendam às exigências do Palácio do Planalto.
A escassez desse tipo de avião customizado para líderes mundiais é um dos entraves, com prazos de fabricação que podem se estender por meses ou até anos.
A Aeronáutica acionou corretores especializados para prospectar o mercado global e buscar empresas capazes de fornecer modelos compatíveis com os critérios definidos pela Presidência.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Após uma triagem inicial, as opções são submetidas à análise final de Lula, e a aquisição ocorreria por meio de licitação.
Em 2024, a Força Aérea Brasileira (FAB) já havia sondado preços de aeronaves alemãs, incluindo um modelo utilizado pela ex-chanceler Angela Merkel, mas a negociação não avançou.
Incidentes recentes aumentam a preocupação com segurança
Lula tem se queixado dos riscos enfrentados durante viagens oficiais. O episódio mais recente ocorreu no Pará, quando uma falha em um dos motores de um avião da FAB antes da decolagem obrigou a comitiva a trocar de aeronave.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Em março deste ano, o próprio “Aerolula” precisou arremeter ao tentar pousar em Sorocaba (SP) devido a ventos fortes, uma manobra que gerou apreensão.
Um incidente mais grave ocorreu em outubro de 2024, no México, quando o avião presidencial sofreu uma pane em uma das turbinas, forçando um voo de quase cinco horas em círculos para consumir combustível antes de um pouso seguro.
Esse evento foi descrito por Lula como uma das ocasiões em que pensou ter corrido risco de vida, reabrindo o debate sobre a necessidade de uma aeronave mais moderna.
Desde o incidente no México, o “Aerolula” opera com uma turbina alugada, e a expectativa é que dois novos equipamentos cheguem em janeiro para a renovação dos motores.
Custo e histórico de críticas pesam na decisão
O “Aerolula” foi adquirido há 20 anos, durante o primeiro mandato de Lula, por R$ 495 milhões (valores corrigidos). Na época, a compra gerou críticas e rendeu à aeronave o apelido de “AeroJanja”, explorado pela oposição como símbolo de gastos.
Esta é a segunda tentativa de Lula de adquirir uma nova aeronave presidencial; planos anteriores, no fim de 2024, foram adiados em meio a discussões sobre ajuste fiscal.
A autonomia limitada do avião atual já forçou Lula a fazer múltiplas escalas em viagens internacionais, como em uma ida ao Japão em maio de 2023, que exigiu paradas no México e no Alasca.
Aliados divergem sobre o momento da compra
Uma ala de aliados defende que a aquisição não ocorra neste momento para evitar desgaste à imagem do presidente, candidato à reeleição.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Outra corrente considera viável deixar a compra encaminhada para 2027, após o período eleitoral.
Auxiliares próximos de Lula no Palácio do Planalto e lideranças do PT estão entre os que se posicionam contrários à compra neste ano.
O debate sobre a troca da aeronave também expõe insatisfações internas nas Forças Armadas diante das restrições orçamentárias que afetam investimentos e a manutenção de equipamentos.
O orçamento da Defesa para o próximo ano será de R$ 141 bilhões, mas a maior parte (76%) é destinada ao pagamento de pessoal.
O ministro da Defesa, José Múcio, tem defendido um piso de 2% do PIB para a área, o que representaria cerca de R$ 244 bilhões, para garantir previsibilidade e continuidade nos investimentos estratégicos.
A eventual compra de um novo avião presidencial tende a disputar espaço orçamentário com outras prioridades da Defesa Nacional, em um cenário de recursos já tensionados.
Fonte: G1