O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou nesta sexta-feira que ainda é prematuro afirmar se o adiamento de um mês na decisão sobre o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será suficiente para satisfazer as condições impostas pela França. A declaração surge após a cúpula europeia em Bruxelas, onde a assinatura do pacto, prevista inicialmente para 20 de dezembro, foi adiada para janeiro.
Oposição Francesa e Preocupações Agrícolas
Macron tem sido um dos principais críticos do acordo, pressionando por garantias adicionais para proteger os produtores agrícolas franceses, que temem a concorrência de produtos sul-americanos. Segundo o presidente francês, o acordo precisa de modificações substanciais para se tornar um “novo” pacto UE-Mercosul.
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“Não estamos satisfeitos. Precisamos desses avanços para que o texto mude de natureza, para que possamos falar de um acordo diferente”, afirmou Macron à imprensa, expressando a necessidade de que o adiamento resulte em progressos concretos.
Protestos e Pressão Política
A decisão de adiar a assinatura frustra as expectativas do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que esperava concretizar o acordo durante a reunião do Mercosul em Foz do Iguaçu. A principal resistência ao pacto vem do setor agrícola europeu, com a França liderando as objeções.
A tensão é palpável, com protestos de agricultores europeus ocorrendo em Bruxelas e, mais recentemente, em frente à residência de praia de Macron no norte da França. Manifestantes usaram esterco, pneus e vegetais para demonstrar sua insatisfação, com mensagens como “Não ao Mercosul” em caixões simbólicos.
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Mudanças nas Cláusulas e Reações Internacionais
O Parlamento Europeu aprovou recentemente uma alteração em uma cláusula do acordo para aumentar a proteção aos agricultores da UE. Pelos novos termos, uma investigação será aberta caso o preço de um produto do Mercosul seja 5% inferior ao da UE e o volume de importações isentas de tarifa aumente mais de 5%, um limite mais restritivo que os 10% originais.
No entanto, essas mudanças não foram suficientes para dissipar as preocupações. Além da França, a Itália também expressou receios, com a primeira-ministra Giorgia Meloni solicitando mais tempo para a análise do acordo. A falta de consenso entre os líderes europeus foi o motivo apontado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para o adiamento.
Expectativas para Janeiro
Apesar das incertezas, a chefe do Executivo da UE e o chanceler alemão, Friedrich Merz, manifestaram confiança na possibilidade de assinar o acordo em janeiro. A complexidade das negociações, que se arrastam por mais de 25 anos, evidencia os desafios diplomáticos e econômicos envolvidos na concretização desta parceria estratégica entre os dois blocos.
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Fonte: G1