O setor cultural brasileiro, que engloba desde a produção audiovisual até o artesanato, viu um crescimento em sua base empresarial formalizada na última década. Entre 2013 e 2023, a participação de empresas com CNPJ no setor cultural, dentro do universo analisado pelo IBGE, subiu de 8,0% para 8,6%. No entanto, essa expansão numérica não se traduziu em maior relevância econômica.
No mesmo período, a fatia do setor cultural na receita líquida total das empresas pesquisadas recuou de 7,7% para 5,6%. Da mesma forma, sua contribuição para o valor adicionado bruto (VA) – que mede a riqueza gerada pelas atividades econômicas – caiu de 10,5% para 8,3%.
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Mudanças Estruturais no Setor
Leonardo Athias, coordenador do estudo do IBGE, explica que as mudanças refletem transformações estruturais. Atividades como produção cinematográfica, portais de internet, arquitetura e publicidade ganharam espaço. Por outro lado, setores ligados ao livro, equipamentos de informática e telecomunicações, que possuíam grande peso econômico, apresentaram queda em sua participação no valor adicionado.
Em 2023, o setor cultural registrou uma receita líquida de R$ 910,6 bilhões e gerou um valor adicionado de R$ 387,9 bilhões. No curto prazo, houve uma leve recuperação na participação do VA, com estabilidade entre 2021 e 2022 (ambos em 8,0%) e um ligeiro aumento para 8,3% em 2023.
Salários Acima da Média, Mas Maior Informalidade
Os dados do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) do IBGE revelam que, em 2022, o setor cultural empregava 2,6 milhões de pessoas, representando 6,8% das empresas formais, 4,2% dos ocupados e 3,5% dos assalariados. A massa salarial paga no setor somou R$ 102,8 bilhões, correspondendo a 4,5% do total nacional.
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O salário médio mensal no setor cultural foi de R$ 4.658, um valor 31,5% superior à média geral de R$ 3.542. Essa remuneração mais elevada, no entanto, contrasta com um cenário de maior informalidade entre os trabalhadores do setor.
Em 2024, o setor cultural empregava 5,9 milhões de pessoas, o maior número da série histórica da Pnad Contínua iniciada em 2014. Apesar de um nível de instrução mais elevado e maior representatividade feminina, o setor se destaca pela alta taxa de trabalhadores por conta própria (43,0%) e em ocupações informais (44,6%). O rendimento médio real no setor cultural teve uma retração de 2,0% entre 2023 e 2024, caindo para R$ 3.266, enquanto a média geral da economia cresceu 3,5%.
MEIs e a Dinâmica Cultural
Pela primeira vez, o estudo do IBGE analisou a participação dos Microempreendedores Individuais (MEI) no setor cultural. Em 2022, 9,5% dos MEIs (1,4 milhão) atuavam em atividades culturais, com forte concentração em design e serviços criativos (publicidade) e artes visuais e artesanato.
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Inflação Cultural Abaixo da Geral
O Índice de Preços da Cultura (IPCult) registrou um aumento de 2,8% em 2024, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,8%. Desde 2020, o IPCult tem apresentado variações consistentemente menores que o IPCA. Em média, entre 2020 e 2024, o IPCult acumulou alta de 3,1% ao ano, contra 5,9% do IPCA.
Essa desaceleração nos preços culturais, em comparação com a inflação geral, pode impactar o poder de compra dos consumidores e a rentabilidade das empresas do setor, embora o aumento da base de empresas sugira um dinamismo que ainda precisa se converter em maior participação econômica.
Fonte: IBGE
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