Os Correios confirmaram a suspensão do tradicional crédito extra de fim de ano, apelidado de “vale-peru”, que seria pago a seus funcionários em 2025. A decisão, comunicada internamente após a renovação do acordo coletivo de trabalho, reflete um cenário financeiro adverso para a estatal, que estima a necessidade de R$ 20 bilhões até 2026 para um plano de reestruturação.
Rombo Bilionário e Plano de Recuperação
A empresa acumula um rombo de R$ 6,1 bilhões até setembro deste ano, um valor que cresceu significativamente desde a mudança de gestão. Para viabilizar a recuperação, os Correios planejam um ambicioso programa de reestruturação. Este plano inclui o pagamento de dívidas com fornecedores, a implementação de um novo programa de demissão voluntária com o objetivo de cortar ao menos 10 mil postos de trabalho, além da revisão de carreiras e salários.
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Impacto nos Empregados e Pressão Sindical
O “vale-peru”, que no ano passado distribuiu R$ 2.500 por funcionário em duas parcelas, foi excluído da nova cláusula do acordo coletivo. A direção da empresa informou que o crédito referente ao ano anterior já foi quitado integralmente. A exclusão do benefício ocorre em um momento de negociações salariais, com o acordo anterior tendo expirado em julho e sendo prorrogado repetidamente. Diante da alegada falta de margem para reajustes, o sindicato que representa os trabalhadores aprovou um indicativo de greve para 16 de dezembro, aumentando a pressão sobre a companhia.
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Para sanar o déficit financeiro e executar o plano de reestruturação, os Correios estudam a captação de um grande empréstimo. A operação envolveria bancos públicos e privados e teria a garantia do Tesouro Nacional. A magnitude do aporte financeiro necessário sublinha a gravidade da situação fiscal da empresa, que tem sido objeto de críticas e preocupações quanto à sua sustentabilidade a longo prazo.