Um ataque brutal chocou a capital mineira na madrugada desta quinta-feira (4), quando criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV) executaram um ataque a tiros durante um churrasco no bairro Flávio Marques Lisboa, Região do Barreiro, em Belo Horizonte. O saldo da ação foram dois mortos e nove feridos, em uma demonstração explícita da escalada da violência e da disputa por domínio territorial entre facções criminosas no estado.
Disputa Territorial e Uso de Uniformes Policiais
As investigações preliminares apontam que a ação do CV visava lideranças do Morro do Querosene, uma localidade na Região Centro-Sul de BH associada ao Terceiro Comando Puro (TCP), outra facção carioca com forte presença em Minas. O TCP, por sua vez, atua em aliança com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros grupos locais, o que demonstra a intrincada rede de alianças e conflitos que permeiam o crime organizado no estado.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Um dos aspectos mais chocantes do ataque foi o uso de uniformes e distintivos da Polícia Civil pelos criminosos. Essa tática, além de intimidatória, visa criar confusão e dificultar a identificação dos responsáveis, revelando um nível de planejamento e audácia preocupante.
Prisões e Antecedentes dos Suspeitos
A Polícia Militar agiu rapidamente e efetuou a prisão de dois suspeitos em flagrante: Iago Amorim Mesquita, 22 anos, e Walisson Henrique Cruz da Silva, 26 anos. Ambos são moradores do Morro das Pedras, na Região Oeste de BH, e já possuem passagens pela polícia, com vínculos confirmados ao CV.
Iago, que usava tornozeleira eletrônica após ser libertado em novembro, rompeu o dispositivo antes do ataque. Walisson, por sua vez, estaria envolvido em uma tentativa de homicídio contra um membro do TCP horas antes do ocorrido no Barreiro, indicando uma escalada de violência prévia.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
O Ataque Detalhado
O churrasco, que ocorria no Conjunto Habitacional Esperança, no Barreiro, reunia pessoas ligadas ao tráfico de drogas local, incluindo um de seus chefes. Criminosos chegaram em um veículo T-Cross e três motos, todos ostentando os uniformes da Polícia Civil.
A troca de tiros, que incluiu o uso de fuzis, resultou na morte de um dos suspeitos ainda no local, identificado como o motorista do carro utilizado na ação, encontrado com um fuzil nas mãos. Outra vítima faleceu durante o atendimento médico. Os nove feridos foram encaminhados ao Hospital João XXIII, onde permanecem sob escolta policial e, segundo informações, não correm risco de morte.
Apreensões e Próximos Passos
Após o confronto, a PM apreendeu um arsenal impressionante, incluindo dois fuzis 5,56, uma pistola com kit Roni, diversas munições, carregadores, três distintivos e duas camisas da Polícia Civil, além de uma balaclava e celulares.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Os nove feridos, ao receberem alta médica, serão conduzidos ao Departamento de Investigação de Homicídios da capital. Todos são considerados suspeitos, dada a natureza do evento. A Polícia Civil segue com as investigações para identificar todos os envolvidos e as motivações por trás deste ataque que expõe a perigosa dinâmica do crime organizado em Belo Horizonte e no Brasil.