A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito e indiciou dois funcionários da lanchonete Rei do Pastel pelo feminicídio de Alice Martins Alves, mulher trans brutalmente assassinada em Belo Horizonte. Os homens, que trabalhavam como garçons no estabelecimento, foram identificados como Arthur Caique Benjamim de Souza e William Gustavo de Jesus do Carmo.
Agressão após conta não paga
Segundo a investigação, Arthur e William perseguiram e espancaram Alice na madrugada de 23 de outubro. A agressão ocorreu após a vítima deixar a lanchonete, localizada em Belo Horizonte, sem quitar uma conta no valor de R$ 22. A delegada Iara França, responsável pelo caso, destacou em coletiva de imprensa que, embora a dívida tenha sido o estopim, a motivação transfóbica intensificou a brutalidade das agressões.
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Motivação transfóbica e histórico dos indiciados
Arthur Caique Benjamim de Souza foi apontado como o coordenador do ataque. Ele seria o responsável pela mesa de Alice e, devido à conta não paga, deixaria de receber uma gorjeta de R$ 2,20. O indiciado possui passagens pela polícia por crimes como tentativa de roubo e uso de drogas. William Gustavo de Jesus do Carmo juntou-se ao colega na perseguição e, durante o espancamento, referiu-se a Alice utilizando o pronome masculino, o que, para a delegada, reforça a transfobia como elemento central do crime.
Versão dos suspeitos e pedido de prisão negado
Arthur e William foram ouvidos no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Eles reconheceram suas vozes em áudios captados no local, mas alegaram que Alice teria se jogado no chão e tentado chutá-los. A delegada Iara França desmentiu a versão, afirmando que os suspeitos não apresentavam lesões e estavam em superioridade numérica e física, tornando a narrativa improvável. A PCMG solicitou a prisão preventiva dos indiciados, mas o pedido foi negado pela Justiça de Minas Gerais, que considerou não haver nexo causal direto entre as lesões e o óbito da vítima.
Posicionamento do Rei do Pastel
Em nota divulgada nas redes sociais no dia 14 de novembro, o Rei do Pastel se manifestou sobre o caso. O estabelecimento declarou estar à disposição das autoridades desde o início das investigações e expressou solidariedade aos familiares e amigos de Alice. A lanchonete também afirmou que não compactua com qualquer tipo de discriminação relacionada à identidade de gênero, orientação sexual, raça ou qualquer outra natureza.
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Repercussão em Belo Horizonte
O caso gerou grande comoção na capital mineira, reacendendo o debate sobre a violência contra a população trans em Belo Horizonte. Ativistas e a comunidade LGBTQIA+ exigem justiça e maior proteção para pessoas trans na cidade. A falta de nexo causal apontada pela Justiça para negar a prisão preventiva também gerou críticas e preocupação quanto à responsabilização dos envolvidos em casos de violência com motivação discriminatória.