Bolívia à beira do colapso: Presidente Paz alerta para limite da crise e cogita estado de exceção

Bolívia à beira do colapso: Presidente Paz alerta para limite da crise e cogita estado de exceção

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, emitiu um alerta grave nesta quarta-feira, declarando que a crise que assola o país “está chegando ao limite”. A declaração ocorre em meio a manifestações contínuas que clamam por sua renúncia, e em um momento em que o governo considera a decretação de estado de exceção para tentar conter […]

Resumo

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, emitiu um alerta grave nesta quarta-feira, declarando que a crise que assola o país “está chegando ao limite”. A declaração ocorre em meio a manifestações contínuas que clamam por sua renúncia, e em um momento em que o governo considera a decretação de estado de exceção para tentar conter os protestos.

Há quase um mês, a Bolívia vive uma convulsão social. Bloqueios em estradas, promovidos por camponeses, operários e transportadores, começaram com demandas por medidas contra a crise econômica – a pior em quarenta anos – e evoluíram para um clamor generalizado pela saída de Paz do cargo.

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“O país precisa de ordem e isto está chegando ao limite. O tempo está se esgotando. Convocamos ao diálogo”, afirmou o presidente de centro-direita durante um evento em La Paz, onde foi instalado um fórum para discussão de políticas sociais e econômicas.

A possibilidade de Paz recorrer a medidas mais drásticas ganhou força após o Congresso, na noite de terça-feira, revogar uma norma que restringia a capacidade do presidente de decretar estados de exceção. Essa alteração legislativa abre caminho para o uso das Forças Armadas no controle dos protestos e para a restrição de liberdades fundamentais, como as de reunião e circulação.

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“Quem quiser destruir a pátria vai se ver com este presidente e com toda a força da Constituição”, advertiu Paz, em clara referência à possibilidade de aplicar o estado de exceção.

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Manifestações persistem apesar das ameaças

As manifestações, no entanto, não dão sinais de arrefecimento. Nesta quarta-feira, Dia das Mães, milhares de camponesas indígenas, a maioria mulheres, marcharam pelo centro de La Paz, empunhando bandeiras de seus povos originários.

“Não temos medo de morrer. Vamos dar nossas vidas para defender (…) já dissemos (ao governo) que preparem suas malas e vão embora”, declarou Marta Poma Luque, camponesa indígena, à AFP durante a marcha.

A marcha das camponesas se uniu a um protesto de motoristas em greve, que já paralisavam parcialmente o transporte público na capital.

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“A polícia boliviana não pode reprimir seu próprio povo. Eles vêm das mesmas comunidades. Não podem enfrentar seus próprios irmãos, seu pai, sua mãe (…) que recuem”, disse Froylan Choque, manifestante, à AFP.

Diálogo com pouca adesão

Em uma tentativa de diminuir a tensão, o vice-presidente Edmand Lara, conhecido por sua oposição a Paz, convocou dirigentes dos protestos para um diálogo. No entanto, apenas representantes da Igreja Católica e da Defensoria do Povo compareceram ao encontro.

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Crise econômica agrava o cenário

La Paz e a vizinha El Alto, principal centro urbano do país, são o epicentro dos protestos e bloqueios. A paralisação das atividades e o impedimento do tráfego de mercadorias têm gerado escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em todo o país. Em outras cidades, como Oruro, Potosí e Cochabamba, o impacto é menos severo.

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“Os medicamentos estão subindo de preço ou há outros que estão acabando”, relatou Zulma Hinojosa, 44 anos, mãe de um menino com asma e problemas cardíacos, em um hospital de La Paz. Ela expressou o temor pela saúde do filho devido à falta de suprimentos.

Grupos de moradores de La Paz também saíram às ruas nos últimos dias para protestar contra os bloqueios, pedindo a normalização do tráfego e o acesso a bens essenciais.

Segundo estimativas do presidente Paz, as perdas econômicas decorrentes da crise já somam 600 milhões de dólares. A Bolívia enfrenta uma grave crise econômica desde 2023, marcada pelo esgotamento das reservas de dólares e uma inflação que gira em torno de 15%.

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“É pior que a covid”, lamentou Paz ao descrever a escassez e a alta dos preços provocadas pelos bloqueios nas duas principais cidades bolivianas.

Medida simbólica de Paz não surte efeito

Em uma tentativa de amenizar a situação, o presidente anunciou nesta semana a redução de seu salário pela metade. A medida, considerada simbólica, visto que sua remuneração mensal é de cerca de US$ 3.448, não gerou impacto positivo entre os manifestantes.

“Estamos fartos deste presidente. Por culpa dele, todo o povo boliviano está sofrendo”, declarou Delta Salinas, outra manifestante, nesta quarta-feira.

Acusações e o fantasma de Evo Morales

O governo de Paz acusa setores de tentar “alterar a ordem democrática” e aponta o ex-presidente socialista Evo Morales como um dos instigadores dos protestos. Morales, que está foragido após ser acusado de suposto tráfico de uma menor, lidera um movimento que pede a convocação de novas eleições em 90 dias.

O líder cocaleiro, que se refugiou em seu reduto político na região do Chapare, tem sido uma figura central nas articulações políticas em meio à crise.

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Fonte: CartaCapital

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