Um estudo global de grande impacto, divulgado pela renomada revista científica The Lancet, elegeu Belo Horizonte como um paradigma internacional na gestão da pandemia de Covid-19. A publicação ressalta que a adoção de medidas sanitárias similares às implementadas pela capital mineira em outras cidades de porte semelhante poderia ter evitado mais de 300 mil mortes em todo o Brasil.
Liderança Local Mitigou Impactos
A pesquisa aponta que a liderança local em Belo Horizonte foi crucial para atenuar os efeitos da pandemia em alguns municípios. A cidade, sob a gestão do então prefeito Alexandre Kalil, registrou a menor mortalidade em hospitais públicos entre 13 capitais analisadas. O sucesso é atribuído à atuação de um comitê científico.
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Este comitê, formado pelo secretário de Saúde Jackson Machado Pinto e pelos infectologistas Estevão Urbano, Carlos Starling e Unaí Tupinambás, orientou a vigilância em tempo real das taxas de transmissão e da ocupação hospitalar e de UTIs. Essa estratégia permitiu ajustes ágeis na capacidade de atendimento e nas restrições impostas à população.
Potencial de Evitar Tragédia Nacional
As estimativas apresentadas pela The Lancet são contundentes: a adequação dos sistemas de saúde de outras capitais aos padrões de Belo Horizonte poderia ter salvado mais de 300 mil vidas. No entanto, o estudo também alerta para as persistentes disparidades dentro da própria capital, com maior mortalidade em áreas vulneráveis, evidenciando o papel das desigualdades sociais.
Medidas como distanciamento social, fechamento de escolas e comércios, uso obrigatório de máscaras, proteção aos trabalhadores e sistemas de dados em tempo real foram destacadas como eficazes pela publicação.
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Negacionismo e a Queda na Expectativa de Vida
A análise nacional do estudo, um dos maiores do mundo sobre carga de doenças e fatores de risco, contou com a colaboração da pesquisadora Deborah Malta, da Escola de Enfermagem da UFMG. Ela focou no impacto de diversas doenças na expectativa de vida dos brasileiros entre 1990 e 2023.
O artigo revela que a expectativa de vida no Brasil caiu 3,4 anos durante a pandemia de Covid-19, acompanhada por um aumento de 27,6% na mortalidade. Esse cenário é diretamente associado ao negacionismo do governo federal da época, liderado por Jair Bolsonaro.
As autoridades, segundo o estudo, enfraqueceram as orientações científicas, rejeitaram o distanciamento social e disseminaram desinformação. A promoção de medicamentos sem comprovação científica e o atraso na aquisição de vacinas, sob a justificativa de evitar o colapso econômico, agravaram a crise sanitária.
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Avanços a Longo Prazo e SUS
Apesar dos reveses recentes, o estudo reconhece que, em uma perspectiva de 33 anos, o Brasil apresentou melhorias significativas. A expectativa de vida subiu 7,18 anos, e a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%. O índice de anos saudáveis perdidos por morte ou doença também registrou uma redução de 29,5%.
Esses avanços são atribuídos ao progresso no saneamento básico, ao crescimento econômico, à implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), à criação do Programa Saúde da Família e à expansão da vacinação.
Fonte: The Lancet
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