Um fundo imobiliário ligado ao advogado Paulo Calixto, que atua na defesa de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, adquiriu em fevereiro deste ano uma residência no valor de aproximadamente R$ 3,6 milhões em Arlington, no Texas. O estado americano é o local onde o ex-deputado federal reside atualmente.
A aquisição do imóvel, registrado em nome do Mercury Legacy Trust, um fundo privado de gestão patrimonial comum nos EUA para administração de bens de terceiros, chamou a atenção da Polícia Federal (PF).
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A PF suspeita que a estrutura financeira estabelecida no Texas, através deste fundo, possa ter sido utilizada para cobrir os custos da estadia de Eduardo Bolsonaro no país. Há também a suspeita de que tal estrutura pudesse servir para burlar eventuais bloqueios judiciais em suas contas bancárias no Brasil, impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliado de Eduardo Bolsonaro também figura em documentos do fundo
Documentos referentes ao Mercury Legacy Trust revelam a participação de André Porciuncula, um aliado próximo de Eduardo Bolsonaro e ex-integrante do governo federal. Porciuncula, no entanto, negou veementemente qualquer ligação entre o imóvel, o ex-deputado e o Banco Master, alvo de investigação.
“A casa não tem relação com nenhum dos dois”, declarou Porciuncula, afastando qualquer conexão direta.
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Investigação apura conexão com Banco Master e filme sobre Bolsonaro
A investigação da Polícia Federal mira recursos ligados ao Banco Master e à produção do filme “Dark Horse”, uma obra cinematográfica baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo apurações, Paulo Calixto também administra o Havengate Development Fund, um fundo que teria recebido parte de valores enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 2025.
Esses valores teriam sido negociados pelo senador Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, com o objetivo de financiar o referido filme.
A PF busca determinar se parte do dinheiro enviado ao fundo foi desviada para cobrir despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro enquanto ele estava nos Estados Unidos.
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Mensagens indicam planejamento para manter recursos nos EUA
A suspeita da PF ganhou força após reportagens que expuseram transferências financeiras da empresa Entre Investimentos e Participações para estruturas no Texas associadas a Eduardo Bolsonaro. Mensagens divulgadas pelo site Intercept Brasil sugerem que o próprio Eduardo discutia ativamente formas de manter recursos nos Estados Unidos para facilitar o financiamento do filme.
Em uma comunicação datada de março de 2025, Eduardo Bolsonaro teria afirmado: “O ideal seria haver os recursos já nos Estados Unidos. Que dos Estados Unidos para os Estados Unidos é tranquilo.”
Flávio Bolsonaro negociou milhões para o filme
Os investigadores também estão analisando o volume financeiro envolvido no projeto do filme. Informações indicam que Flávio Bolsonaro teria negociado até US$ 24 milhões com Daniel Vorcaro para o financiamento da produção cinematográfica.
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Eduardo Bolsonaro, após inicialmente negar envolvimento direto na gestão da produção, admitiu ter assinado um contrato como produtor-executivo. O documento o atribuía participação em decisões orçamentárias, financeiras e na captação de investidores.
O ex-deputado declarou ter investido capital próprio para viabilizar o projeto, afirmando ter enviado aproximadamente US$ 50 mil para os Estados Unidos, originados de R$ 350 mil investidos por ele.
Eduardo Bolsonaro também relatou ter se afastado da função de produtor-executivo quando o financiamento passou a ser gerido por fundos administrados por Paulo Calixto. Atualmente, sua participação estaria restrita à cessão de direitos de imagem.
Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro refutou as acusações, classificando as investigações como “assassinato de reputação”. Ele assegurou ter apresentado às autoridades americanas a origem de seus recursos durante seu processo migratório.
Fonte: Folha