Frentes parlamentares no Congresso Nacional estão articulando uma estratégia para transformar a discussão sobre o fim da escala 6×1 em um movimento mais amplo de revisão das leis trabalhistas. A iniciativa é liderada pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), que busca ampliar o escopo do debate, indo além da mera redução da jornada.
O argumento central dos parlamentares envolvidos é que não é viável abordar a questão da escala 6×1 isoladamente, sem enfrentar gargalos estruturais do modelo trabalhista vigente. Entre os pontos levantados estão a insegurança jurídica e a rigidez nas relações entre empregadores e empregados.
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A avaliação é de que qualquer proposta de alteração na jornada de trabalho precisa ser acompanhada de medidas que proporcionem maior clareza e previsibilidade para ambas as partes. A estratégia inclui a apresentação de emendas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema, com expectativa de que a comissão especial responsável seja instalada ainda nesta semana pela Câmara dos Deputados.
Pressão sobre o Governo e Pauta Econômica
Deputados ligados à FPE também planejam pressionar o governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a detalhar os estudos e os custos associados às propostas de alteração das leis trabalhistas. A cobrança será feita tanto na comissão especial quanto no plenário da Câmara.
Um dos focos da FPE é a constitucionalização de regras estabelecidas na reforma trabalhista de 2017, aprovada durante o governo Michel Temer. A intenção é conferir status constitucional a dispositivos que atualmente estão apenas na legislação infraconstitucional, conferindo maior estabilidade às normas.
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Tópicos Chave da Discussão Ampliada
Os principais pontos que o grupo pretende incluir na pauta de discussões são:
- Negociado sobre o Legislado: Tornar constitucional a prevalência de acordos firmados entre empregadores e empregados sobre a legislação ordinária.
- Normas Regulamentadoras: Limitar a atuação do Ministério do Trabalho na edição de normas, exigindo análise prévia por parte do Poder Legislativo.
- Atuação da Justiça: Restringir a capacidade dos tribunais superiores de criarem novas normas trabalhistas por meio de suas decisões.
Além da atuação no Legislativo, a FPE busca aumentar a pressão sobre o Poder Executivo. Congressistas ligados ao grupo querem que o governo explique o impacto fiscal de eventuais mudanças e indique as fontes de recursos para compensar os custos. A frente também busca alianças com outras bancadas voltadas à pauta econômica para fortalecer sua posição política.
Estratégia Eleitoral e Impacto nas Eleições
A avaliação dos articuladores é que a associação do debate trabalhista a uma agenda mais ampla de reformas pode gerar maior tração política. Contudo, um dos objetivos táticos é adiar a aprovação de medidas impopulares entre o empresariado até o período pós-eleitoral. Há uma percepção de que nenhum pré-candidato presidencial se posicionará frontalmente contra a redução da jornada de trabalho com manutenção salarial, devido ao receio de impacto negativo nas urnas.
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Próximos Passos e Previdência
A partir de 5 de maio, o debate deve se expandir para incluir questões relacionadas à Previdência Social. Um seminário organizado pela FPE na Câmara dos Deputados está previsto para essa data, marcando uma nova fase da estratégia com a inclusão de discussões sobre os impactos das mudanças para aposentados.
Fonte: g1.globo.com