Autoridades portuguesas executaram uma operação de grande porte que culminou na prisão de dois cidadãos brasileiros acusados de envolvimento na importação de aproximadamente 900 quilos de cocaína. A substância ilícita foi descoberta em fevereiro, oculta em contêineres de açúcar que chegaram ao país através do Porto de Leixões.
Os detidos, identificados como Marcelo Sousa Costa e Douglas Soriano Júnior, foram capturados na quinta-feira (23), momento em que, segundo a Procuradoria da República da Comarca de Braga, planejavam seu retorno ao Brasil. Ambos foram formalmente indiciados pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação criminosa. A defesa dos acusados nega veementemente qualquer participação nos delitos.
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Esquema sofisticado de importação
De acordo com as investigações, os brasileiros integravam um grupo criminoso que contava com a participação de um cidadão português e outros dois brasileiros. O modus operandi envolvia a criação de uma empresa fictícia, utilizada como fachada para dissimular a entrada de entorpecentes em carregamentos de alimentos.
A cocaína, dividida em vinte sacos totalizando 900 kg, foi encontrada durante uma revista de rotina realizada pelas autoridades portuguesas. A droga estava escondida em dez contêineres de açúcar, que teriam como destino final um depósito pertencente à empresa Hino da Terra. Esta companhia, segundo a acusação, foi estabelecida sob ordens de Marcelo Sousa Costa.
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Estrutura de comando e atuação
Marcelo Sousa Costa é apontado pelas autoridades como o líder da organização, sendo responsável pela criação de empresas, pela emissão de ordens relativas às importações e pela gestão dos pagamentos das despesas operacionais. Douglas Soriano Júnior atuava como seu braço direito, administrando as finanças do grupo criminoso.
O cidadão português envolvido no esquema teria sido o responsável pela constituição das empresas falsas, essenciais para a viabilização da operação de tráfico. Os outros dois brasileiros colaboravam com as atividades do grupo e intermediaram o contato entre o nacional português e Marcelo Sousa Costa, demonstrando a complexidade e a extensão da rede criminosa.
Posição da defesa e próximos passos
Em nota oficial, a equipe de defesa dos brasileiros declarou que o processo está sob sigilo de justiça. No entanto, os advogados afirmaram que apresentarão um pedido de alteração das medidas de coação caso o caso seja levado a recurso no Tribunal da Relação. A defesa reitera a presunção de inocência de ambos os empresários até o trânsito em julgado da sentença, negando qualquer ligação com a droga apreendida e ressaltando que o caso ainda se encontra em fase de investigação policial sem conclusão definitiva.
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A apreensão de grande quantidade de cocaína em solo europeu reforça a preocupação com as rotas de tráfico transnacionais e a atuação de organizações criminosas que utilizam rotas marítimas e disfarçam suas atividades ilícitas em cargas lícitas. Portugal, como ponto de entrada para o continente europeu, tem sido palco de diversas operações contra o narcotráfico.
Fonte: G1