A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira (30) uma anistia geral para crimes políticos cometidos no país desde 1999. A medida, que será apresentada à Assembleia Nacional, coincide com a libertação de todos os cidadãos americanos que estavam detidos na Venezuela, conforme confirmado pela embaixada dos EUA no país.
A iniciativa surge em um contexto de aproximação entre o governo interino venezuelano e os Estados Unidos, após a deposição de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. A decisão de conceder anistia visa, em parte, desarmar tensões políticas internas e facilitar a normalização das relações diplomáticas.
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A ONG Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos, estima que existam ao menos 711 detentos por motivos políticos na Venezuela, sendo 65 deles estrangeiros. Rodríguez também manifestou a intenção de convocar uma consulta nacional para a criação de um novo sistema de justiça, em substituição ao atual, que tem sido alvo de críticas por suposta corrupção e servilismo ao chavismo.
Reforma no setor de petróleo
Paralelamente aos anúncios sobre anistia, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou por unanimidade uma reforma parcial da lei de hidrocarbonetos. A mudança reduz o controle estatal sobre as operações petrolíferas, que vigorava há duas décadas, abrindo maiores oportunidades para o setor privado e o investimento estrangeiro.
A reforma também reconhece a arbitragem internacional em disputas de investimento, um ponto crucial para atrair empresas estrangeiras que haviam se afastado do país. O governo venezuelano espera que essas alterações ofereçam segurança jurídica e reativem a indústria petrolífera, principal fonte de divisas do país.
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Flexibilização de sanções e reabertura do espaço aéreo
Como parte dos acordos, o governo dos Estados Unidos anunciou a flexibilização das sanções impostas ao petróleo venezuelano. A medida visa revitalizar o setor e proteger as receitas de petróleo contra credores.
O Departamento do Tesouro dos EUA começou a flexibilizar as sanções, permitindo que empresas de energia americanas operem com maior liberdade na Venezuela. Além disso, o presidente Donald Trump confirmou a reabertura do espaço aéreo venezuelano para voos comerciais, facilitando o trânsito e a chegada de investidores.
Contexto político e econômico
A Venezuela enfrenta uma crise econômica prolongada, agravada pelo colapso da indústria petrolífera, apesar de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo. A reforma na lei de hidrocarbonetos busca reverter esse quadro, atraindo investimentos e impulsionando a produção.
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A decisão de Trump de assinar uma ordem executiva para proteger as receitas do petróleo venezuelano contra ações judiciais de credores também visa estabilizar a economia e garantir que os recursos beneficiem o povo venezuelano. Essas ações representam uma mudança significativa na política externa dos EUA em relação à Venezuela.
Fonte: G1