Ouro Preto e Congonhas em Alerta
O Governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), confirmou um incidente ambiental grave ocorrido no último domingo (25). O rompimento de estruturas de contenção em empreendimentos da Vale, localizados em Ouro Preto e Congonhas, na Região Central de Minas, resultou no vazamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água misturada a sedimentos.
Este volume expressivo causou o assoreamento de estruturas ambientais e uma elevação significativa na turbidez dos cursos d’água da região, tornando-os temporariamente impróprios para o consumo e outros usos. Felizmente, os episódios não deixaram vítimas.
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Detalhes do Acidente e Impactos Ambientais
As informações foram detalhadas pela Semad nesta quinta-feira (29), em uma coletiva de imprensa que contou com a participação de representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e Polícia Militar de Meio Ambiente.
Na mina de Fábrica, em Ouro Preto, o rompimento de uma leira de contenção associada à cava 18, utilizada para armazenamento de rejeitos, ocorreu nas primeiras horas de domingo. A água acumulada, carregada de sedimentos, transbordou e atingiu um curso d’água local, impactando a qualidade da água.
O volume vazado em Ouro Preto e Congonhas equivale a cerca de 262 milhões de litros, o que daria para encher aproximadamente 105 piscinas olímpicas. Para comparação, o rompimento da barragem Fundão, em Brumadinho, liberou 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos.
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Mina de Viga Afetada em Congonhas
Em Congonhas, na mina de Viga, o deslocamento de um talude artificial e o escorregamento de um talude natural mobilizaram um grande volume de material. Este material atingiu 22 estruturas de contenção ambiental (sumps) ao longo de uma mesma linha de drenagem, comprometendo sua capacidade de retenção e contribuindo para o assoreamento dos cursos d’água.
Em alguns pontos, a turbidez da água chegou a superar em até 30 vezes os limites permitidos pela legislação ambiental mineira, elevando o risco de danos à fauna aquática e aos múltiplos usos da água na região.
Medidas Emergenciais e Multas
Como resposta imediata aos vazamentos, a Semad determinou a suspensão cautelar da deposição de rejeitos na cava 18, em Ouro Preto. Além disso, as atividades da mina de Viga, em Congonhas, foram totalmente paralisadas, mantendo-se apenas as ações de controle ambiental.
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A Vale foi multada em aproximadamente R$ 1,7 milhão por poluição ambiental. A empresa também foi autuada em Ouro Preto por não comunicar o evento dentro do prazo legal e pelo agravante de atingimento de área de terceiros.
Até a última quarta-feira (28), quatro sumps já haviam sido desassoreados com o uso de maquinário pesado. A empresa iniciou a aplicação de floculantes para diminuir a dispersão dos sedimentos, e monitoramentos iniciais indicam uma melhora gradual da qualidade da água em alguns locais.
Monitoramento e Recuperação em Andamento
Até o momento, os impactos ambientais confirmados estão restritos à alteração da turbidez em cursos d’água, incluindo afluentes do Rio Maranhão, que deságua no Rio Paraopeba. Ainda não há confirmação de impactos diretos no Paraopeba.
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A Vale atribuiu os incidentes às chuvas intensas e ao volume acumulado na região. A empresa tem um prazo de dois dias para implementar medidas emergenciais, 10 dias para apresentar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) e 60 dias para entregar um plano geral para a mina de Viga.
A retomada das atividades em Congonhas só será autorizada após a comprovação de segurança ambiental e da capacidade de controle de novos volumes de chuva, conforme determina o governo estadual.
A reportagem buscou contato com a Vale para obter um posicionamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. A Prefeitura de Congonhas também foi acionada para comentar os impactos locais e as medidas adotadas, e aguarda-se um pronunciamento.
Fonte: O Tempo