Um tesouro natural escondido no leste de Minas Gerais, a Serra do Padre Ângelo, localizada entre os municípios de Conselheiro Pena e Alvarenga, tem se revelado um dos mais importantes refúgios de biodiversidade do país. A área, antes pouco explorada pela ciência, já presenteou pesquisadores com ao menos 28 espécies novas para a ciência, além de plantas de porte colossal e ecossistemas únicos da Mata Atlântica.
Um Gigante Descoberto em Redes Sociais
A história de descobertas na serra ganhou um capítulo especial em 2010, quando uma fotografia postada por um morador local em redes sociais chamou a atenção do botânico Paulo Gonella, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). A imagem revelou uma planta carnívora nunca vista antes no Brasil.
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“Quando vi aquela foto, percebi imediatamente que era algo muito incomum”, relata Gonella. Após investigações, a planta foi oficialmente descrita em 2015 como *Drosera magnifica*. Hoje, ela é considerada a maior planta carnívora das Américas, podendo ultrapassar 1,5 metro de comprimento. A descoberta marcou a primeira vez que uma nova espécie de planta carnívora foi identificada a partir de imagens divulgadas online.
Canela-de-ema-gigante e Araucárias Raras
Além da impressionante planta carnívora, a Serra do Padre Ângelo abriga a canela-de-ema-gigante (*Vellozia gigantea*), que pode atingir até sete metros de altura e viver por centenas de anos. Antes dessas expedições, essa espécie colossal era conhecida apenas na Serra do Cipó, a cerca de 200 quilômetros dali.
A presença dessas plantas monumentais, que servem de lar para outras espécies como líquens e orquídeas, inspirou o apelido de “Terra de Gigantes” para a região. Outra descoberta relevante foi a confirmação da população de araucárias mais ao norte já registrada no Brasil, embora em número reduzido.
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Campos Rupestres e a Riqueza Isolada
Um dos aspectos mais fascinantes da serra é a presença de campos rupestres, formações vegetais raras que prosperam em solos pobres e condições climáticas extremas sobre rochas. Esses ambientes, que ocupam menos de 1% do território brasileiro, concentram cerca de 15% das espécies de plantas do país.
Na Serra do Padre Ângelo, esses campos rupestres surgem como ilhas isoladas em meio a áreas degradadas da Mata Atlântica, rodeados por pastagens e plantações. A diversidade de ambientes, como paredões rochosos, áreas alagadas e matas de altitude, contribui para a alta concentração de espécies endêmicas e raras.
Um Patrimônio Natural Ameaçado
A Serra do Padre Ângelo desempenha um papel crucial no abastecimento hídrico de diversas cidades mineiras, alimentando as bacias do Rio Doce e do Rio Manhuaçu. No entanto, a região enfrenta crescentes ameaças como queimadas, turismo desordenado, avanço da pecuária e espécies invasoras.
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O relevo acidentado, que antes ajudou a preservar a vegetação nativa, hoje é um aliado importante na luta pela conservação. “Cerca de 70% da cobertura dessa região é pastagem e o pouco de vegetação nativa que sobrou está em pequenos fragmentos. Nesse cenário, a Serra do Padre Ângelo resistiu por conta do relevo mais acidentado”, explica o botânico Paulo Gonella.
A colaboração dos moradores locais tem sido fundamental para as expedições científicas, com o conhecimento da comunidade sobre as áreas mais remotas da serra. O pesquisador defende a implementação de medidas permanentes de conservação para garantir que essa biodiversidade única, que por muito tempo permaneceu invisível nos mapas científicos, seja protegida e estudada em sua totalidade.
Fonte: G1
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