Um novo ataque a um hospital que trata pacientes com Ebola, desta vez no epicentro do surto da rara variante Bundibugyo no leste do Congo, gerou alarme entre as autoridades de saúde. A invasão, ocorrida na noite de domingo (24), forçou a evacuação às pressas de pacientes e equipes médicas em meio a troca de tiros, intensificando os receios de um aumento na transmissão do vírus.
Ameaça em Meio a um Surto Raro e Sem Vacina
O incidente no Hospital Geral de Mongbwalu é o terceiro ataque do tipo em menos de uma semana, evidenciando a crescente tensão entre as comunidades locais e as equipes de saúde. A variante Bundibugyo, que circula na região, é particularmente preocupante por não possuir uma vacina disponível, ao contrário de outras cepas de Ebola. Autoridades congolesas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já haviam elevado o nível de risco do surto para “muito alto” para o Congo, embora o risco global ainda seja considerado baixo.
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Fuga de Pacientes e Corpos como Vetores de Transmissão
Durante o ataque em Mongbwalu, os agressores teriam exigido a entrega de corpos de parentes. A entrega de corpos de vítimas de Ebola é um ponto crítico na contenção da doença, pois os rituais funerários e a preparação dos corpos podem levar a uma disseminação significativa do vírus. Para mitigar esse risco, o governo congolês tem tentado assumir o controle dos enterros, uma medida que tem gerado protestos.
O ataque mais recente ocorreu após um incidente no sábado (23), onde moradores de Mongbwalu atacaram e incendiaram uma tenda de tratamento de Ebola montada pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras. Durante essa ação, 18 pessoas com suspeita de infecção pelo vírus deixaram as instalações e agora estão desaparecidas, aumentando a incerteza sobre o rastreamento e isolamento de casos.
Cronologia de Ataques e Crescimento de Casos
Na quinta-feira (21), um centro de tratamento em Rwampara também foi incendiado, após familiares serem impedidos de recuperar o corpo de um homem suspeito de ter morrido de Ebola. Esses ataques sequenciais criam um cenário desafiador para os esforços de controle da epidemia, que já lida com o desafio de uma variante desconhecida e de difícil contenção.
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O Ministério das Comunicações da República Congolesa informou um aumento significativo nos casos suspeitos, com mais de 904 notificações, a maioria na província de Ituri. O número de mortes suspeitas também é elevado, embora haja discrepâncias nos dados oficiais divulgados para diferentes regiões.
Desafios na Resposta Internacional e Local
A complexidade do surto é agravada pela possibilidade de a variante Bundibugyo ter circulado por semanas antes de ser identificada. Os primeiros casos apresentavam resultados negativos para a cepa mais comum do Ebola, o que atrasou a confirmação e a resposta inicial. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho relatou a morte de três de seus voluntários em Mongbwalu, possivelmente contraído durante o manuseio de corpos em operações não relacionadas ao Ebola, o que sugere que o vírus pode ter tido um período de incubação e disseminação anterior ao reconhecimento oficial.
A diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, enfatizou que a resposta eficaz ao surto depende não apenas de medidas médicas, mas também da reconstrução da confiança entre as autoridades e as comunidades locais. A OMS, por sua vez, continua a monitorar a situação, destacando a importância da cooperação internacional e do apoio às autoridades congolesas na contenção desta crise de saúde pública.
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Fonte: Associated Press