STJ arquiva recurso da OAB sobre quebra de sigilo do advogado de Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro

STJ arquiva recurso da OAB sobre quebra de sigilo do advogado de Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro

Recurso da OAB sobre financiamento da defesa de Adélio Bispo é arquivado pelo STJ O Superior Tribunal de Justiça (STJ) arquivou um recurso apresentado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que contestava a quebra do sigilo bancário de Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado de Adélio Bispo, o autor da facada […]

Resumo

Recurso da OAB sobre financiamento da defesa de Adélio Bispo é arquivado pelo STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) arquivou um recurso apresentado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que contestava a quebra do sigilo bancário de Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado de Adélio Bispo, o autor da facada contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro em 2018. O ministro Joel Ilan Paciornik determinou o arquivamento por considerar o recurso prejudicado, ou seja, sem mais utilidade prática, visto que os inquéritos que motivaram a quebra de sigilo já foram concluídos.

Entenda a decisão do STJ

O recurso da OAB visava reverter uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) que havia autorizado a busca e apreensão e a quebra do sigilo bancário de Zanone entre setembro e dezembro de 2018. O objetivo principal da quebra de sigilo era investigar a origem do financiamento da defesa de Adélio Bispo, que não possuía patrimônio declarado. A Polícia Federal, em sua conclusão inicial, apontou que Adélio teria agido sozinho no atentado.

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Primeira instância considerou a quebra de sigilo pertinente

A 3ª Vara Federal de Juiz de Fora havia justificado a quebra de sigilo sob o argumento de que o interesse público em identificar o financiador da defesa se sobrepunha à relação cliente-advogado. A vara enfatizou que o foco da investigação não era o advogado em si, mas sim quem estaria custeando a defesa. A OAB recorreu, e o TRF-1 manteve a decisão. Houve uma suspensão temporária em 2019, mas em 2021 o TRF-1 negou novamente os pedidos da OAB. Durante o processo, o Ministério Público chegou a defender a validade da medida, considerando a possibilidade de envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) no caso.

Suspeitas e investigações sobre o financiamento da defesa

Na época, os advogados de Adélio afirmaram ter sido contratados por um membro da igreja Testemunhas de Jeová de Montes Claros, o que foi desmentido pela própria igreja. Zanone relatou à Polícia Federal ter aceitado o caso buscando notoriedade e que recebeu apenas uma parte dos honorários prometidos. Investigações posteriores, reveladas em 2023 pelo jornal Folha de S.Paulo, apontaram indícios de ligação entre o PCC e os advogados de Adélio, com suspeitas de pagamentos fracionados a uma empresa ligada a outro advogado de defesa, Fernando Magalhães. Registros contábeis e um grupo em aplicativo com menção ao PCC também foram mencionados. Fernando Magalhães negou envolvimento e atribuiu responsabilidades a Zanone. Em 2024, Magalhães foi alvo de uma operação da PF que apreendeu bens, sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, embora a conclusão final da PF tenha sido de que não houve repasse da facção para a defesa de Adélio.

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