O sistema de alerta para emergências em barragens da mineradora Anglo American, localizado próximo aos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, na Região Central de Minas Gerais, disparou de forma acidental na tarde desta quinta-feira (12/2). O som das sirenes, projetado para alertar sobre iminente rompimento de estruturas de rejeitos, gerou pânico entre os moradores das comunidades rurais e urbanas adjacentes.
O susto levou diversas famílias a deixarem suas casas às pressas, buscando refúgio em áreas mais elevadas, temendo um cenário semelhante a outros desastres que já assolaram o estado. Relatos indicam que o pânico foi tão intenso que algumas pessoas necessitaram de atendimento médico devido ao estresse e à ansiedade provocados pelo alarme falso.
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Anglo American Justifica Acionamento como Acidental
Em nota oficial, a assessoria de imprensa da Anglo American classificou o incidente como um acionamento acidental. A empresa buscou tranquilizar a população, reforçando que não há qualquer situação de emergência real ou necessidade de evacuação das áreas. Segundo a mineradora, a barragem e os diques de contenção do sistema Minas-Rio permanecem estáveis, com monitoramento geotécnico contínuo 24 horas por dia, sete dias por semana.
Apesar da garantia da empresa, o episódio reacende a tensão em uma região que já vivenciou tragédias ambientais e que acompanha de perto os processos de licenciamento de novas estruturas da mineradora. O sistema Minas-Rio é um complexo de extração e transporte de minério de ferro que abrange Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, com sua produção sendo escoada via mineroduto até o Porto do Açu, no Rio de Janeiro.
Repercussão Política e Cobrança por Responsabilização
O acionamento indevido das sirenes já gerou forte reação de representantes políticos de Minas Gerais. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) anunciou que irá acionar a Agência Nacional de Mineração e o Ministério Público para que o caso seja investigado. Ela criticou a falha, classificando-a como inaceitável e um descaso que reativa traumas coletivos e gera medo nas comunidades.
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A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) também se manifestou, enfatizando que a situação de famílias correndo e passando mal não pode ser normalizada. Gonçalves adiantou que buscará o Ministério Público para garantir a devida indenização às famílias afetadas e a responsabilização da mineradora, com a aplicação das multas cabíveis.
Histórico de Acionamentos e Licenciamento Ambiental em Suspenso
Este não é o primeiro incidente do tipo na região. Em janeiro de 2020, um acionamento indevido em Conceição do Mato Dentro levou moradores a protestarem bloqueando a MG-10. Em março do ano passado, outro alarme acidental da Anglo American deixou em alerta as comunidades do Sapo, Turco e Cabeceira do Turco, também em Conceição do Mato Dentro.
Paralelamente, a Anglo American enfrenta um processo delicado no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). No início de janeiro, o presidente do TCE-MG, conselheiro Durval Ângelo, suspendeu liminarmente o licenciamento ambiental de um segundo alteamento (aumento de altura) da barragem de rejeitos do sistema Minas-Rio. A decisão atende a um pedido após o reconhecimento formal da comunidade quilombola de São José do Arrudas, em Alvorada de Minas, como parte da Zona de Autossalvamento (ZAS) da nova estrutura.
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O conselheiro Durval Ângelo destacou que a comunidade quilombola possui um regime de proteção reforçada, garantido por direitos fundamentais, coletivos e originários, além de convenções internacionais que preveem consulta livre e informada a povos tradicionais sobre medidas que possam afetá-los. A decisão liminar foi referendada pela Corte do TCE no dia 4 de fevereiro, com voto favorável de todos os sete conselheiros presentes.
Fonte: G1