A pequena Serra da Saudade, o menor município do Brasil em população, com apenas 833 habitantes, se torna agora pioneira em tecnologia energética. A Cemig inaugurou na cidade um sistema de baterias acoplado a painéis solares, um marco inédito na rede de distribuição do país. A inovação garante que a localidade tenha suprimento de energia por até 48 horas em caso de interrupções, tornando-a praticamente imune a apagões.
Inovação mineira para a rede de distribuição
Diferentemente de outros sistemas de baterias já existentes no Brasil, como o da Isa Cteep em Registro (SP), que atua na rede de transmissão, ou os sistemas individuais de armazenamento para painéis solares residenciais, a solução em Serra da Saudade é focada diretamente na distribuição. A energia gerada pelos painéis solares, com capacidade de 500 kW, é armazenada em 16 racks de baterias. O processo de recarga completa leva apenas 12 horas, e quando o sistema está cheio, os painéis param de gerar para otimizar o armazenamento.
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Este projeto, que custou R$ 7 milhões – quase metade do valor inicialmente previsto de R$ 13 milhões –, contou com um desconto significativo da empresa brasileira Weg na fabricação dos sistemas de armazenamento, superando concorrentes internacionais.
Um futuro energético mais estável para Minas
O vice-presidente de distribuição da Cemig, Marney Antunes, destaca o potencial da tecnologia. “Eu acho que o futuro vai ser esse sistema devido ao preço das baterias, que está caindo. E nós estamos sendo pioneiros em trazer isso para a distribuição, para atender o nosso objetivo principal, que é levar mais energia para os municípios, de uma forma ininterrupta”, afirmou.
A escolha de Serra da Saudade não foi aleatória. A cidade apresentava um alto Índice de Duração Equivalente de Interrupção por Consumidor (DEC), com cerca de 24 horas anuais sem energia. Uma solução anterior, que envolvia a criação de um cabeamento reserva com custo de R$ 30 milhões, foi considerada inviável.
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Expansão e potencial futuro
O sistema já passou por testes práticos, como uma simulação onde a rede elétrica foi desligada por 30 segundos, e as baterias assumiram o fornecimento sem que a população percebesse qualquer alteração. A tecnologia impede falhas na conexão com a subestação, embora não resolva problemas localizados na rede interna da cidade, como quedas de postes, que representam uma parcela menor das ocorrências.
Com o sucesso em Serra da Saudade, a Cemig já planeja replicar o modelo em outras 12 cidades ou comunidades mineiras, com um investimento previsto de R$ 85 milhões. A empresa também vislumbra a possibilidade de comercializar o excedente de energia gerada pelos painéis solares, uma vez que as regulamentações permitam que distribuidoras atuem na geração com fins comerciais.
O CEO da Cemig, Reynaldo Passanezi, ressaltou a importância estratégica da empresa em participar dos leilões de baterias promovidos pelo Ministério de Minas e Energia, tanto para sistemas de pequeno porte, como o de Serra da Saudade, quanto para os de grande porte conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
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A inauguração oficial contou com a presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e seu vice, Matheus Simões, reforçando a importância do projeto para o desenvolvimento energético do estado.
Fonte: Estado de Minas