Senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal intensificam os esforços para desvendar as complexidades por trás do colapso do Banco Master. Nesta quarta-feira (10), parlamentares têm agendados encontros com representantes da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para coletar informações cruciais sobre as investigações em curso.
Diálogo com a Polícia Federal
A primeira etapa da agenda envolve uma conversa com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O objetivo é obter orientações que possam nortear o trabalho investigativo dos senadores, compreendendo melhor as linhas de apuração e as evidências coletadas até o momento.
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A expectativa é que a PF compartilhe detalhes sobre a investigação que apura suspeitas de um esquema financeiro fraudulento no Banco Master, que teria culminado no desvio de aproximadamente R$ 11,5 bilhões.
Acesso a Documentos Sigilosos no STF
Em seguida, os senadores se dirigirão ao Supremo Tribunal Federal. A missão é pleitear o acesso a documentos considerados restritos e sob sigilo no âmbito do caso Master. O pedido será formalizado diretamente ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
O senador Izalci Lucas (PL-DF), líder da oposição no Congresso, destacou a importância desses diálogos. “Queremos conversar com o diretor da Polícia Federal para ter acesso às informações, inclusive com o presidente do Supremo, porque Toffoli colocou tudo com sigilo, e a comissão tem essa competência de requisitar documentos sigilosos”, afirmou.
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Izalci Lucas ressaltou a necessidade de explicar ao ministro Fachin a competência da CAE para requisitar documentos sigilosos, buscando assim garantir o acesso necessário para aprofundar a investigação.
Acompanhamento da Investigação e Responsabilização
O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), explicou que o propósito do grupo é acompanhar o andamento da investigação em diferentes esferas de poder. O foco é identificar os responsáveis pelo descumprimento da legislação vigente, promover a responsabilização e, posteriormente, propor as alterações legislativas necessárias.
Calheiros também apontou a necessidade de fortalecer o papel do Banco Central, criticando a demora na decretação da liquidação do Banco Master. A instituição financeira foi liquidada em novembro de 2025.
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Próximos Passos da Comissão
Durante reunião realizada na terça-feira (9), a CAE aprovou 19 requerimentos. Estes preveem a realização de oitivas, audiências públicas e pedidos de informações ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Banco Central.
Estão na lista de convidados para prestar depoimento o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, seu ex-sócio Augusto Lima, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
As audiências públicas terão como foco a discussão aprofundada sobre o caso do conglomerado Master, a atuação das instituições financeiras brasileiras, as operações financeiras, aquisições de participação acionária e os investimentos realizados pelo BRB (Banco de Brasília).
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O Escândalo do Banco Master
No final de 2024, o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, apresentava R$ 80 bilhões em ativos e apenas R$ 4 milhões em caixa. As suspeitas envolvem um esquema de pirâmide financeira, o uso de empresas de fachada, triangulações por meio de fundos e carteiras fictícias.
O banco ganhou notoriedade ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade significativamente superior à média do mercado. Para sustentar esse modelo, a instituição teria assumido riscos excessivos, realizando operações que inflavam artificialmente seu balanço.
Investigações da Polícia Federal e relatórios do Banco Central indicam que o colapso do Master não foi apenas financeiro, mas também institucional. A grave crise de liquidez e as severas violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN) levaram o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro de 2025.
Fonte: R7