Secretário de Justiça de MG critica Lula e elogia Trump por classificar PCC e CV como terroristas

Secretário de Justiça de MG critica Lula e elogia Trump por classificar PCC e CV como terroristas

O Secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, manifestou perplexidade e desaprovação diante da reação do governo federal à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Para Greco, a medida adotada pela administração de Donald Trump é […]

Resumo

O Secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, manifestou perplexidade e desaprovação diante da reação do governo federal à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Para Greco, a medida adotada pela administração de Donald Trump é um ato de coragem que, segundo ele, faltou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Greco, com uma sólida formação acadêmica e experiência de três décadas como procurador do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), argumenta que, embora as facções brasileiras possam não se enquadrar estritamente no conceito clássico de terrorismo ligado a motivações religiosas ou políticas, suas ações produzem efeitos idênticos. Ele destaca o domínio territorial, a violência contra a população, a interdição da ação estatal e a imposição de regras pelo medo como características terroristas.

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Ação Americana e a Visão Mineira

Em entrevista à Gazeta do Povo, o secretário afirmou que milhões de brasileiros subjugados por essas facções sabem o que é ser vítima de terrorismo. Ele citou o Rio de Janeiro como exemplo, onde centenas de comunidades são controladas por criminosos armados, que ditam normas e desafiam o Estado. Essa realidade, segundo Greco, é uma manifestação clara de terror.

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A decisão americana, para Greco, é “extremamente acertada” e deveria servir de inspiração para o Brasil. Ele ressalta que o país tem assistido ao crescimento dessas organizações por cerca de 25 anos sem uma resposta estatal proporcional, permitindo que facções como o PCC se tornem verdadeiras “multinacionais do crime”.

Legislação Brasileira e Medidas Federais

O Secretário de Justiça mineiro também criticou a legislação brasileira antiterrorismo, aprovada durante o governo Dilma Rousseff. Ele a considera elaborada às pressas para os Jogos Olímpicos de 2016 e limitada, especialmente após vetos presidenciais que retiraram instrumentos importantes. Greco defende uma revisão da lei para que ela alcance as realidades atuais do país.

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Sobre as recentes medidas de segurança anunciadas pelo governo federal, Greco as considera pouco inovadoras, muitas delas já executadas pelos estados há anos. Ele lamenta que ações necessárias há décadas tenham sido adiadas, permitindo o crescimento assustador das facções e seu poderio econômico.

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Minas Gerais na Luta Contra o Crime Organizado

Em Minas Gerais, o secretário destacou a criação de unidades específicas para a custódia de membros de facções, com regras e controle rigorosos. A integração entre Polícia Militar, Civil, Penal e outros órgãos é apontada como fundamental para o combate eficiente. Greco lamenta a falta de colaboração federal em questões de fronteira, essencial para conter a entrada de drogas e armas, especialmente dos países vizinhos como Peru, Colômbia e Bolívia.

Desmistificando a Ingerência Externa

Greco rebateu o argumento de que a classificação de PCC e CV como terroristas abriria espaço para ingerência externa. Ele explicou que o foco dos EUA é o patrimônio e a estrutura financeira das organizações, bloqueando recursos e mecanismos de lavagem de dinheiro, uma estratégia “inteligente e perfeitamente legítima”. O principal alvo é sufocar as finanças do crime.

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O caráter internacional das facções, segundo ele, é documentado há décadas, com conexões entre traficantes brasileiros e grupos armados estrangeiros desde a prisão de Fernandinho Beira-Mar na Colômbia em 2001. O crime organizado brasileiro se internacionalizou há muito tempo.

Corrupção e o Modelo de El Salvador

Para o secretário, a corrupção é o “maior terrorismo” no Brasil, pois enfraquece instituições e cria ambiente favorável ao crime organizado. Ele comparou a situação à de El Salvador, defendendo que, embora cada país tenha sua realidade, o modelo salvadorenho demonstra que a solução existe com vontade política e mudanças legislativas, incluindo o combate à cúpula corrupta do Judiciário.

Greco concluiu alertando que não se pode mais tratar organizações que dominam territórios, aterrorizam populações e movimentam bilhões como meros problemas policiais. Elas representam uma ameaça real ao Estado e à sociedade brasileira.

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Fonte: Estado de Minas

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