O primeiro dia útil de 2025, nesta sexta-feira (03/01), marcou o início dos tradicionais saldões de fim de ano no comércio de Belo Horizonte. Lojistas da capital mineira apostam em promoções agressivas para escoar o estoque remanescente das festas de fim de ano e impulsionar as vendas em um período de consumo tradicionalmente mais retraído.
Consumidores Aproveitam Oportunidades em Ruas e Shoppings
A recepcionista Cláudia Araújo Barbosa já estava atenta às ofertas. Ela se dirigiu às lojas de rua da região central da cidade em busca de um liquidificador e uma airfryer, motivada pelas promoções de fim de estoque. “Sempre tem um fim de estoque que eles costumam colocar em promoção, por isso eu vim hoje. Os preços estão bons, uma diferença de R$ 100 em relação à outra loja que acabei de ir”, relatou, demonstrando preferência pela compra em lojas físicas para ver e tocar os produtos.
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O vigilante Emar Francisco, também na região central, saiu de uma loja na Rua Curitiba com um televisor novo em mãos. Ele esperou o período pós-Natal para garantir melhores condições de pagamento. “Estava esperando uma condição melhor agora. Vim aqui na loja antes, mas estava muito cheio e um vendedor falou que depois do Natal entram as promoções”, explicou, satisfeito com a possibilidade de parcelar o aparelho em 10 vezes sem juros.
No Shopping Boulevard, na Região Leste, a estratégia foi semelhante. O assessor parlamentar Bruno Soares, acompanhado da filha Larissa, aproveitou as promoções para trocar presentes e adquirir itens que faltaram para as comemorações. “Vimos que algumas lojas estão em promoção, aí aproveitamos para comprar alguns presentes que faltaram. Acabei de comprar uma camisa com 40% de desconto. Tinha comprado a mesma camisa para presente de Natal e agora está com esse desconto”, contou.
Estratégias de Varejistas para o Início do Ano
Gerentes de grandes redes varejistas confirmam a estratégia de liquidação. Leonardo da Cunha Diniz Pereira, gerente da loja Ponto (antigo Ponto Frio) na Rua Curitiba, informou que o saldão oficial da rede começará na próxima semana, com foco em megaparcelamento de até 24 vezes no carnê e descontos para pagamento à vista. Ele espera um crescimento de 15% no faturamento em relação à mesma campanha do ano anterior.
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Já as Casas Bahia, também na Rua Curitiba, anteciparam seu saldão. Igor de Souza Mota, gerente da unidade, destacou a redução de preços em televisores, com um modelo saindo de R$ 1.599 para R$ 1.299. Fritadeiras e smartphones também estão entre os produtos mais procurados. “Na nossa Superliquidação Fantástica teremos preços bons, parcelamento no cartão da loja em até 30 vezes fixas, além do nosso tradicional carnê”, afirmou, visando encher as lojas de produtos para pronta entrega.
No varejo de moda, a loja de calçados femininos Constance, no Boulevard Shopping, também aderiu às promoções. Luciana Rezende, vendedora, informou que os descontos chegam a 50% em calçados selecionados, incluindo peças de novas coleções. “Quem viaja para o exterior aproveita para comprar botas, e quem vai para o litoral, ou mesmo no calor de BH, costuma comprar as rasteirinhas”, comentou sobre a variedade de produtos em oferta.
O Papel Estratégico dos Saldões Pós-Natal
Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), ressalta a importância desses saldões para a sustentabilidade do comércio. “O saldão de Natal e as liquidações de janeiro são momentos fundamentais para a sustentabilidade do comércio varejista”, explicou. Para ele, essas ações permitem escoar estoques, liberar espaço para novas coleções e recompor o fluxo de caixa, fortalecendo a saúde financeira dos negócios.
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Fernanda Gonçalves, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), complementa que a estratégia visa liquidar estoques remanescentes e gerar caixa rapidamente. “É fundamental que o valor final das vendas dos produtos em promoção não fique abaixo do custo inicial das mercadorias”, alertou.
A economista também destaca que as liquidações de janeiro ajudam a movimentar a economia da capital em um mês de férias e, consequentemente, de menor consumo. “Com preços mais atrativos, os consumidores se programam para aproveitar as ofertas adquirindo itens que ficaram fora do orçamento no Natal”, pontuou.
“Para uma cidade cuja principal atividade econômica é o comércio e os serviços, o saldão de Natal e as liquidações de janeiro cumprem um papel estratégico: estimulam o consumo consciente, ajudam a manter empregos, fortalecem o varejo local e contribuem para a dinamização da economia no início do ano”, concluiu Souza e Silva.
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Calor Impulsiona Vendas de Ventiladores e Umidificadores
A onda de calor que atingiu Belo Horizonte na última semana também impulsionou as vendas de itens de climatização. A doméstica Érica Maria Francisco foi às compras em busca de ventiladores e umidificadores. “Está muito calor. Vim por necessidade. Independente de estar em promoção, eu preciso comprar”, disse, afirmando que os preços estavam dentro do esperado. Ela recorreu ao carnê para adquirir os produtos.
A também doméstica Cláudia Ribeiro da Silva teve seu ventilador quebrado em um dos dias mais quentes. “Não estava aguentando de calor e vim correndo, para aproveitar o feriado emendado. Nem sabia do saldão, o calor me obrigou a comprar”, relatou. Após pesquisar em três lojas, ela adquiriu um ventilador por R$ 170.
Desempenho do Natal em BH e Perspectivas
Uma pesquisa da Fecomércio MG indicou que 43,4% do comércio varejista de Minas Gerais considerou as vendas de Natal dentro das expectativas, com 15,6% superando-as. Para 23,3%, as expectativas não foram alcançadas, e para 32,8%, foram parcialmente atendidas.
A maioria dos comerciantes (42,8%) viu as vendas de Natal se manterem estáveis em comparação a 2024. Outros 35% registraram desempenho superior, e 21,7% viram queda. Entre os que tiveram bons resultados, 37,9% indicaram aumento de 10% a 20%, e 34,5% de até 10%.
Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio MG, descreveu o Natal de 2025 como um período de cautela para consumidores e empresas. “Os dados mostram um comércio que conseguiu se manter estável, mesmo diante de um consumidor mais cauteloso. O crédito teve papel central, assim como o 13º salário, que concentrou as compras na reta final do mês”, afirmou.
As principais justificativas para o mau desempenho incluíram baixo fluxo de pessoas (33,3%), endividamento do consumidor (25,6%) e concorrência desleal (20,5%). O gerente da Ponto, Leonardo da Cunha Diniz Pereira, lamentou o baixo fluxo de clientes, apesar da preparação da loja.
Por outro lado, para os empresários com bons resultados, as ações nas lojas (27%), a visibilidade (19%) e as promoções (12,7%) foram fatores determinantes. Luciana Rezende, da Constance, observou que as promoções atuais podem ser mais agressivas devido ao comportamento do consumidor na Black Friday do ano anterior.
A pesquisa também revelou que 58,3% das compras de Natal ocorreram na véspera, após o pagamento da segunda parcela do 13º salário. O cartão de crédito parcelado foi o meio de pagamento mais utilizado (36,5%), indicando a estratégia dos consumidores de diluir gastos. O ticket médio ficou em R$ 200,31.
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“Ações realizadas dentro das lojas, promoções bem direcionadas e maior visibilidade foram determinantes para sustentar as vendas. O consumidor pesquisou mais, comparou preços e comprou quando encontrou condições viáveis”, avaliou Fernanda Gonçalves.
O estudo da Fecomércio MG ainda apontou que 15% das empresas contrataram temporários para atender à demanda sazonal, reforçando o papel do Natal na geração de empregos pontuais. O período, apesar dos desafios econômicos, continua sendo essencial para o comércio varejista e para o estímulo ao consumo familiar.
Fonte: Adaptação jornalística com base em informações de fontes diversas.