Vestidas em tons de prata e roxo, cores que marcam sua identidade, as integrantes do bloco Sagrada Profana tomaram as ruas do bairro Santa Inês, na Região Leste de Belo Horizonte, neste sábado (31/1). Com o grito de guerra “Vivas e Livres”, o coletivo, composto exclusivamente por mulheres, utilizou a força do batuque para enviar uma mensagem contundente: um apelo pela cessação da violência e do feminicídio.
Um Grito Contra a Epidemia de Feminicídio
A fundadora do bloco, a musicista e percussionista Nara Torres, destacou a urgência da pauta. “Estamos vivendo um momento bastante delicado, uma epidemia de feminicídio. Buscamos questionar isso e outras pautas da desigualdade de gênero”, afirmou.
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Os dados reforçam a gravidade da situação em Minas Gerais. Em 2025, o estado registrou o segundo maior número de feminicídios no país, com 139 mulheres assassinadas, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Isso representa uma média alarmante de quase três mortes por semana, colocando Minas atrás apenas de São Paulo e à frente do Rio de Janeiro. Nacionalmente, o ano foi recorde, com 1.470 ocorrências do crime de gênero.
Música como Ferramenta de Resistência e Empoderamento
Em sintonia com a temática, o repertório musical do Sagrada Profana incluiu canções que expressam a dor e a resiliência feminina. A música “Maria da Vila Matilde”, de Elza Soares, com seu poderoso verso “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”, ecoou pelas ruas, simbolizando a força e a determinação das mulheres.
A personal trainer Stephany Oliv ressaltou a importância do bloco para demonstrar a união e a capacidade feminina. “Esse bloco é importante para mostrar que as mulheres unidas também têm força. Fazer o bloco acontecer, sem apoio financeiro, mostra que somos capazes de realizar muitas coisas”, declarou.
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Um Modelo de Respeito e Organização em BH
A beleza e a organização do desfile foram amplamente elogiadas. A assistente administrativa Karine Meira destacou o Sagrada Profana como um exemplo para outros blocos carnavalescos da capital. “Não vi assédio aqui, o desfile está rolando com respeito e organização”, garantiu.
A cientista Amanda Domingues de Araújo ampliou o debate, pontuando outras questões cruciais. “Precisamos falar também de igualdade salarial e da valorização da mulher na pesquisa e no mercado de trabalho”, disse, enfatizando que a luta por direitos vai além do combate à violência.
O desfile do Sagrada Profana em Santa Inês reafirma o potencial dos blocos de rua em Belo Horizonte como espaços de manifestação social e cultural, promovendo debates essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária na capital mineira.
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Fonte: O Tempo