O WhatsApp declarou na quarta-feira (11/2) que o governo da Rússia empreendeu uma tentativa de “bloquear completamente” o serviço no país. A empresa, pertencente à Meta, classificou a ação como um “retrocesso” que poderia comprometer a segurança dos cidadãos russos.
Pressão por Aplicativo Estatal
Segundo o WhatsApp, uma das motivações por trás dessa tentativa de bloqueio seria o esforço do Kremlin para impulsionar o uso do Max, um aplicativo de comunicação desenvolvido pelo Estado russo. Este aplicativo, comparado ao WeChat chinês, visa centralizar mensagens e serviços governamentais, mas sem a criptografia oferecida pelo WhatsApp.
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Desde 2025, a Rússia exige a pré-instalação do Max em todos os novos dispositivos eletrônicos comercializados no país. Além disso, funcionários públicos, professores e estudantes são obrigados a utilizar a plataforma, indicando uma estratégia clara de controle e vigilância sobre as comunicações digitais.
Escalada de Restrições e Argumentos Oficiais
Este episódio se insere em um contexto de crescente restrição a aplicativos de mensagens na Rússia. O Telegram, que possui um número de usuários comparável ao do WhatsApp no país, também tem sofrido limitações sob a alegação de falta de segurança e descumprimento de leis locais.
As autoridades russas, através da agência reguladora Roskomnadzor, argumentam que tanto o WhatsApp quanto o Telegram se recusam a armazenar os dados de usuários russos dentro do território nacional, o que é uma exigência legal. A agência Tass Media já noticiou a possibilidade de um bloqueio permanente do WhatsApp em 2026.
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Classificação da Meta e Impacto em Outros Aplicativos
Andrei Svintsov, um funcionário do governo russo, justificou as “medidas tão drásticas” como “absolutamente justificadas”, citando a designação da Meta como uma “organização extremista” em 2022. Desde então, outros aplicativos da Meta, como Instagram e Facebook, já foram bloqueados na Rússia e só são acessíveis via VPNs (Redes Privadas Virtuais).
Preocupações com Vigilância e Liberdade Digital
O empresário russo Pavel Durov, CEO do Telegram, manifestou preocupação com a estratégia estatal, comparando-a a tentativas semelhantes no Irã. Ele alertou que o objetivo do Estado é forçar a população a usar um aplicativo próprio, facilitando a vigilância e a censura política, e afirmou que “restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa”. A Rússia ainda não respondeu oficialmente aos comunicados do WhatsApp.
Fonte: BBC News
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