O ex-senador Romero Jucá (MDB) reapareceu publicamente para detalhar uma de suas declarações mais controversas, proferida em 2016 durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Em entrevista à CNN Brasil, Jucá afirmou que a frase captada em gravação, na qual sugeria um “acordo global, com o Supremo, com tudo”, não tinha o objetivo de interromper as investigações da Operação Lava Jato, como foi amplamente interpretado na época.
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Contexto de Crise Econômica e Política
Segundo o ex-parlamentar, a intenção por trás da declaração era a de criar um cenário político e institucional favorável para a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff.
Jucá argumentou que o Brasil passava por um grave momento de crise econômica e que o governo da então presidente não possuía mais condições de governabilidade.
“Quando eu conversei e a gente discutiu a saída da presidente Dilma, o Brasil estava afundando na economia. O governo da Dilma era um governo que não tinha mais condição de sustentação”, declarou o ex-senador.
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Impeachment como Saída Constitucional
A declaração, segundo Romero Jucá, referia-se a um pacto para que os Poderes da República se alinhassem e permitissem que o impeachment ocorresse dentro dos preceitos constitucionais.
Ele enfatizou que a saída da presidente deveria se dar por meio de um instrumento legalmente previsto.
“Quando eu falei no afastamento da Dilma e num acordo para afastar a Dilma, era um acordo para que os poderes se organizassem e pudesse haver a saída da presidente Dilma. A saída como? Através de um instrumento constitucional, que era o impeachment, que seria presidido por um ministro do Supremo”, explicou Jucá à emissora.
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A gravação em questão, divulgada em maio de 2016, gerou intensa repercussão e contribuiu para o clima de instabilidade política que marcou o período. Na época, a declaração foi vista por muitos como uma admissão de que o processo de impeachment seria conduzido de forma a beneficiar determinados grupos políticos e a blindar investigados na Lava Jato.
A fala de Jucá, então líder do governo interino no Senado, alimentou o debate sobre a legalidade e a legitimidade do processo de impeachment, que culminou no afastamento definitivo de Dilma Rousseff em agosto de 2016.
A defesa do impeachment sustentava a necessidade de uma mudança de rumo econômico e a recuperação da confiança do mercado e dos investidores, enquanto os opositores o classificavam como um “golpe parlamentar” que não teria base em crimes de responsabilidade.
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Fonte: CNN Brasil