Renúncia de Zambelli é vista pela esquerda como manobra para evitar inelegibilidade

Renúncia de Zambelli é vista pela esquerda como manobra para evitar inelegibilidade

A renúncia da deputada Carla Zambelli (PL-SP), anunciada neste domingo (14/12), gerou reações contundentes de lideranças da esquerda, que interpretam a medida como uma estratégia para escapar da perda de seus direitos políticos, mesmo diante de condenações e prisão. Durante um ato em São Paulo, deputados e ministros do governo Lula (PT) relembraram que o […]

Resumo

A renúncia da deputada Carla Zambelli (PL-SP), anunciada neste domingo (14/12), gerou reações contundentes de lideranças da esquerda, que interpretam a medida como uma estratégia para escapar da perda de seus direitos políticos, mesmo diante de condenações e prisão.

Durante um ato em São Paulo, deputados e ministros do governo Lula (PT) relembraram que o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia determinado a cassação de Zambelli, após a Câmara dos Deputados ter mantido seu mandato na madrugada de quinta-feira (11/12).

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Estratégia para evitar inelegibilidade

O deputado federal Jilmar Tatto (PT) avaliou a renúncia como uma possível tentativa de evitar a inelegibilidade. “Ela ia ser cassada de todo modo. Talvez seja uma estratégia da advogada dela e dela, de eventualmente não ficar inelegível”, afirmou.

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Tatto classificou a decisão como “uma renúncia oportunista, o que é bem do estilo dela”.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL) comentou que, com a saída de Zambelli, “é uma golpista a menos no caminho”.

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“Vejo isso como jogar a toalha. Porque, na verdade, ela já está condenada, ela já está inelegível e ela está presa. Então, não tem muita margem de manobra”, disse Bomfim, sugerindo uma possível contestação jurídica da inelegibilidade através da renúncia.

Ministro cobra cumprimento da pena

O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) compartilhou a visão de que a renúncia foi uma tentativa de evitar a perda dos direitos políticos. “Acho que foi uma tentativa dela de evitar a perda dos seus direitos políticos. Creio que seja isso. Mas ela tem que perder e tem que ser presa”, declarou.

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A renúncia de Zambelli foi resultado de negociações envolvendo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliados, a família da deputada e seus advogados. A medida visa a evitar um conflito direto entre a Câmara e o STF, poupando Lira de desgastes políticos.

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Cobrança por extradição

A deputada Erika Hilton (PSOL) ironizou a situação, afirmando que “Carla Zambelli teve a condição de ser mais digna do que o presidente da Câmara”.

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) focou na necessidade de extradição de Zambelli, que se encontra presa na Itália desde julho. “Ela já está presa e já tinha sido tirada no cargo pelo Supremo. A questão agora, no caso da Zambelli, não é nem sobre o mandato, mas sobre a extradição dela para cumprir a pena no Brasil.”, disse Boulos.

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Condenações e fuga

Carla Zambelli foi condenada em maio deste ano à perda do mandato e a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a ajuda do hacker Walter Delgatti Neto. Na época, alegou receio de prisão e fugiu para a Itália.

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Em agosto, foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por sacar e apontar uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

O STF determinou que Zambelli cumpra pena no Brasil. A Justiça italiana deve analisar o pedido de extradição na próxima quinta-feira (18). Caso extraditada, ela deverá ser encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal.

Fonte: Folha de S.Paulo

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