Putin evita reação imediata à queda de Maduro e busca vantagens estratégicas

Putin evita reação imediata à queda de Maduro e busca vantagens estratégicas

A recente operação que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, embora condenada por diplomatas russos, não gerou uma reação pública imediata do presidente Vladimir Putin. Essa cautela contrasta com a postura de outros líderes globais, como o chinês Xi Jinping, e sugere uma estratégia russa mais calculada diante do que […]

Resumo

A recente operação que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, embora condenada por diplomatas russos, não gerou uma reação pública imediata do presidente Vladimir Putin. Essa cautela contrasta com a postura de outros líderes globais, como o chinês Xi Jinping, e sugere uma estratégia russa mais calculada diante do que pode ser visto como um revés geopolítico.

Em maio do ano passado, Putin recebeu Maduro em Moscou, reforçando a parceria estratégica entre os dois países. O encontro, marcado por declarações de apoio mútuo, visava consolidar a influência russa no Hemisfério Ocidental. No entanto, a apreensão de Maduro expõe os limites dessa aliança e levanta questionamentos sobre a capacidade de Moscou de proteger seus aliados em face de ações militares americanas.

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Reação russa: entre a retórica e o silêncio

Enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Rússia e o representante permanente nas Nações Unidas, Vasily Nebenzya, emitiram declarações condenando a ação dos EUA e acusando Washington de “neocolonialismo e imperialismo”, a voz de Putin permaneceu ausente nos momentos iniciais. Essa ausência pública diverge da rápida condenação de Xi Jinping, que classificou a ação como “intimidação unilateral”.

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A falta de um pronunciamento direto de Putin sobre a captura de Maduro, e posteriormente sobre a apreensão de um navio russo por forças americanas, intensifica as especulações sobre como Moscou responderá ao que é percebido como um novo “aventureirismo militar” de Washington.

Reveses e oportunidades estratégicas

A queda de Maduro se soma a outros reveses recentes para Putin, como o colapso do regime sírio de Bashar al-Assad e os ataques americanos a instalações nucleares iranianas, apesar da parceria estratégica com Teerã. Em ambos os casos, a Rússia buscou esclarecer que suas alianças não implicavam intervenção militar direta.

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A operação contra Maduro também lança uma luz desfavorável sobre o complexo militar-industrial russo. Equipamentos de defesa aérea russos, vendidos à Venezuela durante os governos de Hugo Chávez e Maduro, pareceram ineficazes diante da ação americana, gerando ironias por parte de autoridades dos EUA.

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A “Doutrina Monroe” como escudo retórico

Por outro lado, a ação americana na Venezuela pode oferecer vantagens estratégicas para Putin. A reafirmação por parte dos EUA de uma esfera de influência na América Latina, remetendo à “Doutrina Monroe”, pode ser utilizada por Putin como uma justificativa retórica para suas próprias ambições imperiais, como a desmantelação de uma Ucrânia independente.

A disposição declarada do governo Trump em usar a força para alcançar objetivos, como a tentativa de adquirir a Groenlândia da Dinamarca, também ecoa a visão de Putin de um mundo governado pela “força” e pelo “poder”. Essa postura americana pode ser vista pelo Kremlin como uma oportunidade para explorar fissuras na aliança transatlântica, especialmente em um momento de incertezas sobre o apoio dos EUA à Ucrânia.

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Sinal de determinação na Ucrânia

Enquanto o cenário internacional se desenrola, Putin tem demonstrado publicamente sua determinação em prosseguir com a guerra na Ucrânia. Em celebrações religiosas, o presidente russo tem exaltado o papel dos soldados russos como “salvadores da Pátria”, sinalizando que a retórica de “missão sagrada” continua a nortear suas ações.

A imagem de Maduro sendo transportado para um tribunal nos EUA pode, paradoxalmente, servir para desviar a atenção de falhas russas em impor mudanças de regime em países vizinhos. No entanto, o que fica evidente é a sinalização de Putin de que, no jogo global das potências, a força bruta ainda dita as regras.

Fonte: R7

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