Discurso polêmico em congresso
Um evento da juventude do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), realizado em Giessen, tornou-se palco de um episódio que evocou memórias sombrias do passado alemão. Alexander Eichwald, durante sua candidatura, adotou uma entonação rígida, trejeitos e expressões que remeteram à era nazista. Dirigindo-se aos presentes como “camaradas de partido”, Eichwald declarou: “Partilhamos aqui o nosso amor e lealdade à Alemanha” e “É e continua a ser nosso dever nacional proteger a cultura alemã de influências estrangeiras”.
Vídeo viraliza e amplia repercussão
Um vídeo divulgado por Mareile Ihle, responsável pela comunicação dos Verdes na Renânia do Norte-Vestfália, capturou o momento e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. A cena gerou críticas imediatas, com alguns delegados questionando Eichwald sobre uma possível ligação com o Serviço Federal de Proteção da Constituição, sob aplausos. O próprio Eichwald justificou o sotaque carregado, afirmando ser russo-alemão, e negou que sua fala tenha sido uma encenação, respondendo com um “sim” ao ser perguntado se suas declarações foram sérias.
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AfD reage e verifica filiação
A direção nacional da AfD pronunciou-se sobre o ocorrido. Tino Chrupalla, líder do partido, afirmou que o discurso de Eichwald representou um desvio dos princípios da legenda. “Com o conteúdo e a forma da sua apresentação de candidatura, Alexander Eichwald distanciou-se dos princípios do partido”, declarou Chrupalla à agência Deutsche Presse-Agentur. A executiva federal anunciou que irá verificar a condição de filiação do candidato.
Radicalismo persiste na nova juventude da AfD
O incidente ocorre em um momento de sinais contraditórios dentro da organização juvenil da AfD. Enquanto Chrupalla elogiou a “profissionalização” da juventude, ressaltando que ela deve permanecer “desagradável”, o partido demonstra cautela com o novo líder juvenil, Jean-Pascal Hohm, que usou o termo “troca de população” em uma entrevista. Especialistas, no entanto, apontam para a continuidade do radicalismo, citando discursos de outros candidatos como Mio Trautner, Julia Gehrkens e Cedric Krippner, que defenderam medidas como “que as deportações no país finalmente comecem” e “remigração de milhões de pessoas”. Christoph Schulze e Wolfgang Schroeder, cientistas políticos, veem a eleição de Hohm como a “manutenção da linha radical”, afirmando que a nova juventude é composta “pelas mesmas pessoas” que dominavam a organização anterior.