Jared Kushner, ex-conselheiro da Casa Branca e genro do ex-presidente Donald Trump, apresentou um ambicioso plano para a reconstrução de Gaza durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. O projeto, focado no desenvolvimento econômico e social da região devastada pela guerra, inclui a construção de 180 arranha-céus, um aeroporto e duas novas áreas urbanas denominadas Nova Rafah e Nova Gaza.
Visão para a ‘Nova Gaza’
O plano de Kushner, que ele descreve como o único existente e sem plano B, enfatiza a necessidade de desmilitarização para viabilizar a reconstrução. Ele sugere que a ausência de desmilitarização por parte do Hamas seria o principal obstáculo para que o povo de Gaza alcance suas aspirações de desenvolvimento.
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Um mapa exibido durante a apresentação revelou a visão de uma zona de ‘turismo costeiro’ ao longo da orla, com potencial para abrigar até 180 arranha-céus, possivelmente voltados para hotéis. Um porto foi projetado na fronteira com o Egito, e um aeroporto seria construído nas proximidades, em uma área onde existia um aeroporto destruído há mais de 20 anos.
Novas Cidades e Emprego Pleno
Os projetos de desenvolvimento urbano Nova Rafah e Nova Gaza são centrais na proposta. Nova Rafah prevê a construção de mais de 100 mil unidades habitacionais permanentes, além de escolas e instalações médicas, com a expectativa de conclusão em dois a três anos. Nova Gaza seria transformada em um centro industrial, com o objetivo de alcançar 100% de pleno emprego, inspirada em metrópoles como Doha e Dubai.
A escala da reconstrução é imensa, considerando que mais de 80% dos edifícios de Gaza foram danificados ou destruídos após dois anos de conflito. A apresentação, no entanto, foi criticada pela falta de detalhes sobre a implementação dos projetos.
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Financiamento e Investimento Privado
Kushner indicou que governos farão as contribuições iniciais, com anúncios esperados em uma conferência em Washington. Ele também apelou ao setor privado, prometendo “incríveis oportunidades de investimento” e pedindo fé e investimento nas pessoas de Gaza, apesar dos riscos.
Críticos apontam que a proposta pode ser vista como uma exploração da vulnerabilidade palestina. Ramy Abdu, fundador do Euro-Mediterranean Human Rights Monitor, expressou preocupação com um plano que, segundo ele, visa “eliminar a presença palestina” através de “domesticação, subjugação e controle”.
Omissões e Preocupações
Um ponto de atenção é a ausência de menção a uma força internacional de estabilização, peça-chave no plano original de Trump para o cessar-fogo. A retirada das forças israelenses, atualmente presentes em mais da metade do território, foi reduzida a uma frase: “A desmilitarização de toda Gaza permite a retirada completa das Forças de Defesa de Israel para o perímetro de segurança”.
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A desmilitarização do Hamas, supervisionada por um novo comitê tecnocrático composto por indicados palestinos, é apresentada como condição para a reconstrução. No entanto, o Hamas tem condicionado a entrega de armas à formação de um exército palestino em um Estado próprio.
A Autoridade Palestina (AP) manifestou preocupação com o novo comitê tecnocrático, que pode ameaçar sua centralidade política. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), responsável por serviços essenciais a mais da metade da população de Gaza, parece estar fora dos planos de Kushner, que sugere a busca por “melhores práticas” globais para educação e saúde.
Histórico e Próximos Passos
Esta não é a primeira vez que Kushner apresenta uma visão ambiciosa para Gaza; em 2019, uma cúpula no Bahrein já previa um centro comercial e turístico vibrante. Desta vez, Ali Shaath, chefe do novo comitê tecnocrático, anunciou a reabertura da passagem de Rafah, sinalizando que Gaza “não está mais fechada para o futuro e para o mundo”, e buscando transformar o momento em ação concreta.
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Fonte: R7