Patinetes elétricos em BH: Crianças em risco e desinformação marcam uso irregular em praças da capital

Patinetes elétricos em BH: Crianças em risco e desinformação marcam uso irregular em praças da capital

Em Belo Horizonte, a cena de patinetes elétricos compartilhados se tornou comum em espaços públicos, como a Praça da Assembleia, na região Centro-Sul. O que à primeira vista pode parecer um momento de lazer familiar, esconde uma realidade preocupante: o uso desses equipamentos por crianças e em desacordo com as regulamentações municipais e nacionais, colocando […]

Resumo

Em Belo Horizonte, a cena de patinetes elétricos compartilhados se tornou comum em espaços públicos, como a Praça da Assembleia, na região Centro-Sul. O que à primeira vista pode parecer um momento de lazer familiar, esconde uma realidade preocupante: o uso desses equipamentos por crianças e em desacordo com as regulamentações municipais e nacionais, colocando em risco a segurança de todos.

Regras claras, mas pouco seguidas

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), patinetes elétricos são classificados como equipamentos de mobilidade e seu uso é restrito a maiores de 18 anos. A norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) de 2023, Resolução 996, estabelece diretrizes para esses veículos, definindo limites de potência, velocidade máxima (6 km/h em áreas de pedestres) e itens de segurança obrigatórios.

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A proibição de transporte de mais de uma pessoa e a idade mínima de 18 anos para o cadastro no aplicativo são regras claras. No entanto, a reportagem flagrou diversas situações de descumprimento. Pais e filhos compartilhando o mesmo patinete e crianças, desacompanhadas ou em companhia de adultos, utilizando os equipamentos livremente em praças da capital.

Preocupação de pais e avós

A falta de conhecimento sobre as regras é um fator crítico. Entrevistados pela reportagem, muitos pais e avós desconheciam a proibição para menores de 18 anos e a regra de uso individual. Cleonice Pereira, 58 anos, babá que frequenta a Praça da Assembleia com um menino de 2 anos, expressa apreensão.

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“Eu acho muito perigoso. Tem muitas crianças andando nesses patinetes. Eu acho que eles deveriam ser somente para pessoas habilitadas. Mas o que eu vejo é qualquer um no patinete, e as crianças não têm noção ainda de segurança”, relata.

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Terezinha Pontes, 60 anos, auxiliar administrativo, compartilha a mesma preocupação ao levar a neta, Maria Julia, de 4 anos, para brincar. “Acho que os meninos que usam os patinetes elétricos às vezes perdem a noção do perigo. Tem que ter responsabilidade, não deixar o patinete na mão de uma criança”, afirma.

Riscos de acidentes graves e fatais

Profissionais de saúde e segurança alertam para os perigos iminentes. O tenente Elias Cristovam, do Corpo de Bombeiros, destaca o risco de quedas e atropelamentos, que podem resultar em lesões sérias. Rodrigo Muzzi, coordenador médico do Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência (que inclui o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII), reforça o alerta.

“Uma pessoa que está andando de patinete pode cair e acabar com lesões na pele, feridas, traumas de face, fratura no nariz. Já vi alguns casos”, pontua Muzzi. Ele enfatiza que o risco para crianças é ainda maior.

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“As crianças têm os ossos mais maleáveis e não têm tanto o reflexo de sair da frente do patinete elétrico. Em um atropelamento, pode haver inclusive lesão craniana”, explica, alertando que acidentes podem ser fatais.

Fiscalização e conscientização em pauta

A PBH informa que a Guarda Civil Municipal realiza ações de monitoramento e orientação. Contudo, a falta de fiscalização visível em momentos de grande circulação de usuários contribui para a percepção de que o uso é liberado.

Juliana Oliveira, 48 anos, servidora pública, levou seus filhos de 11 e 13 anos para usar os patinetes pela primeira vez. “É um lazer, um entretenimento, mas tem que ser bem orientado. Os pais têm que estar próximos das crianças e não deixá-las sozinhas para evitar acidentes”, comenta, apesar de não conhecer a proibição para menores.

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Patricia Campos, 40 anos, cozinheira, expressa a visão comum de que patinetes são brinquedos. “Os patinetes elétricos são ótimos para as crianças brincarem. Eu só mando não ficarem muito tempo”, diz. Questionada sobre as regras, responde: “Ninguém explica nada. A gente acha que é brinquedo.”

Responsabilidade das empresas e dicas de segurança

A JET, empresa responsável pelos patinetes em BH, afirma que a segurança é prioridade. Novos usuários passam por um tutorial obrigatório no aplicativo GO JET, e orientações sobre circulação e estacionamento estão disponíveis. A tecnologia de geofencing é utilizada para delimitar áreas de circulação e controlar a velocidade.

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A empresa também oferece o programa Escola de Direção Segura, com aulas gratuitas sobre o uso correto dos equipamentos. Uma equipe de monitoramento opera 24 horas para identificar e retirar de circulação patinetes com avarias ou uso irregular.

Especialistas reforçam a importância do bom senso. O tenente Elias Cristovam aconselha transitar em vias seguras, moderar a velocidade e ter controle sobre o veículo. “Se não sentir confiança, aprenda a pilotar em um local adequado e não ao redor de muitas pessoas, especialmente de crianças. Além disso, sempre dê preferência aos pedestres”, orienta.

Rodrigo Muzzi acrescenta que, embora não obrigatório, o uso de capacete, joelheiras e cotoveleiras é fundamental. “Nosso passeio não é uniforme. Além disso, as pessoas não usam os equipamentos de proteção adequados, o que é importante em caso de quedas”, finaliza.

Regras essenciais para o uso de patinetes em BH:

  • Idade mínima de 18 anos para cadastro.
  • Uso individual do equipamento; proibido transportar passageiros ou animais.
  • Limitador de velocidade para iniciantes.
  • Velocidade controlada em calçadas, praças, parques, ciclovias e ciclofaixas.
  • Equipamentos obrigatórios: indicador de velocidade, campainha e sinalização noturna.
  • Uso de capacete é altamente recomendável.

Fonte: O Tempo

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