A Polícia Civil deflagrou uma operação nesta segunda-feira (1º) para investigar supostos desvios de verba pública na produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados à produtora do longa e a gabinetes da Prefeitura de São Paulo.
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A investigação apura se o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, também dona da Go UP Entertainment (produtora do filme), utilizou notas fiscais consideradas frias para justificar despesas custeadas pelo município.
Empresas sob Suspeita
Segundo o inquérito, há indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial entre o instituto, que é uma organização social, e a produtora.
Quatro faturas emitidas pela Make One Lab, empresa de tecnologia, totalizando R$ 8,5 milhões, estão sob escrutínio.
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De acordo com a decisão judicial, essas faturas apresentavam numeração sequencial, datas de emissão e vencimento idênticas, além de valores artificialmente fracionados, levantando suspeitas de fraude documental para ocultar saídas ilícitas de recursos.
A Make One Lab foi procurada, mas não retornou os contatos da reportagem.
Outras notas fiscais canceladas pelas empresas Complexsys Soluções Integradas e JR Feijão, somando R$ 2,4 milhões, também são investigadas.
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No caso da Complexsys, as notas foram canceladas no mesmo dia da emissão, mas foram apresentadas pelo ICB na prestação de contas à prefeitura.
A reportagem não obteve contato com a Complexsys nem com a JR Feijão.
Conexões Políticas e Contratuais
A expansão dos negócios de Karina Ferreira da Gama teria ocorrido após ela conhecer o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro e também signatário da produção do filme.
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A Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Mário Frias entre setembro de 2024 e abril deste ano, por serviços de apoio a escritório parlamentar.
Mário Frias não comentou a ascensão dos negócios de Gama nem a operação policial.
O ICB não prestou diretamente os serviços de instalação de pontos de Wi-Fi previstos no contrato com a prefeitura, mas intermediou a contratação de outras duas empresas: Urban Connect e Ultra IP.
A busca e apreensão foi autorizada para ambas as empresas.
A Polícia Civil aponta que o contrato com o ICB foi firmado por um valor acima do mercado, com cada ponto de Wi-Fi custando R$ 1.800, enquanto a Prodam, empresa pública municipal, cobra R$ 230 pela implantação e R$ 306 pela manutenção mensal.
Segundo o inquérito, parte dos pagamentos ao ICB ocorreu sem a prestação efetiva do serviço.
Posicionamento da Prefeitura e Reações
A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades, afirmando que a contratação do ICB seguiu princípios de legalidade e transparência e que o chamamento público ocorreu em 2024, antes da produção do filme.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) classificou a operação como perseguição política e ressaltou que a prefeitura colaborou com as investigações.
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A autoridade policial, por outro lado, afirmou que a gestão Nunes não respondeu a um ofício solicitando cópia integral do procedimento administrativo e da prestação de contas do contrato com o ICB, cujo valor estimado é de R$ 108 milhões.
Investigações Paralelas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria buscado apoio financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção de “Dark Horse”. Vorcaro repassou R$ 61 milhões ao filme, mas nega acusações de fraude bancária.
A Polícia Federal também investiga se recursos do filme foram utilizados para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro negam o uso de recursos públicos ou alocados para a produção do filme.
Fonte: Folha de S.Paulo