O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), optou por manter, por enquanto, as investigações sobre o caso Master integralmente na Corte.
A decisão leva em conta a necessidade de aprofundar o entendimento sobre a extensão das relações entre autoridades e Daniel Vorcaro, proprietário do banco investigado, e a identificação de eventuais crimes associados a essas conexões.
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Interlocutores apontam que um desmembramento neste momento, com o envio de parte das apurações para a Justiça Federal, poderia gerar um vaivém entre instâncias judiciais, o que é considerado prejudicial ao andamento das investigações.
A possibilidade de futuras remessas para outras instâncias não está descartada, mas a avaliação atual é de cautela.
Diferenças de Abordagem
O ministro Dias Toffoli, que conduzia as investigações até 12 de fevereiro, tinha planos de desmembrar o caso. Sua intenção era manter no STF apenas as apurações que envolvessem autoridades com foro privilegiado.
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Mendonça, no entanto, adota uma postura mais reservada em relação a essa medida.
Segundo relatos, a remessa para a primeira instância só seria considerada se ficasse comprovado que, além de relações com o banqueiro, as autoridades não possuem qualquer ligação direta com suspeitas de fraude no banco.
Tempo de Relatoria e Próximos Passos
Outro argumento que sustenta a decisão de Mendonça é o curto período desde que ele assumiu a relatoria do caso Master. Acredita-se que ainda não houve tempo suficiente para que o ministro se inteire completamente de todos os detalhes.
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Por essa razão, não se espera, no momento, nenhuma decisão que determine o desmembramento do caso.
O foco principal de Mendonça tem sido garantir a normalidade e o andamento das apurações.
Nesse sentido, ele derrubou ordens anteriores de Toffoli que haviam dificultado o acesso da Polícia Federal (PF) às provas.
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Diálogo com Investigadores
O ministro Mendonça já se reuniu duas vezes com os investigadores responsáveis pelo caso.
O primeiro encontro ocorreu em 13 de fevereiro, um dia após assumir a relatoria, e o segundo na segunda-feira (23).
Durante as reuniões, os investigadores apresentaram um relato detalhado sobre os inquéritos em andamento no STF e também sobre apurações correlatas que surgiram a partir do suposto esquema de fraude no banco.
Posicionamento do Planalto
No Palácio do Planalto, a orientação para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido a de manter distância das investigações do caso Master.
O objetivo é evitar desgastes com o STF e impedir interpretações de que o Executivo estaria tentando interferir no caso ou prejudicar o ministro Dias Toffoli.
Toffoli deixou a relatoria após a PF indicar possíveis ligações entre ele e o dono do banco, Daniel Vorcaro.
A estratégia do governo é blindar a imagem do presidente e evitar qualquer associação com conflitos internos no Supremo.
Contexto Político e Indicações ao STF
A orientação para o distanciamento de Lula também considera o cenário político atual.
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A defesa pelo afastamento de Toffoli ocorreu em um momento em que o governo articula a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no STF.
Críticas ao caso poderiam ser interpretadas como um movimento para agradar senadores e favorecer Messias, cujo nome precisa ser aprovado pelo Senado.
O presidente Lula demonstrava incômodo com a possibilidade de ligações entre Vorcaro e Toffoli, avaliando que isso poderia prejudicar as investigações e a imagem do Judiciário.
Lula chegou a afirmar a aliados que considerava insustentável a permanência de Toffoli na relatoria, mas declarações nesse sentido poderiam ser vistas como uma tentativa de desgastar o magistrado.
Combate ao Crime Organizado
O Planalto busca evitar atritos com o STF e reforçar o apoio às investigações, ressaltando a independência e o devido processo legal.
O governo pretende destacar o combate ao crime organizado e ao “andar de cima” da sociedade, reiterando o respeito à autonomia das instituições.
Fonte: G1