A cidade de Medellín, outrora um dos epicentros globais da violência ligada ao narcotráfico, está construindo sua primeira megaprisão. O projeto, anunciado pela prefeitura, é explicitamente inspirado no modelo de El Salvador, implementado pelo presidente Nayib Bukele, que inclui o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot).
Um Contraste Histórico
Medellín carrega o peso de um passado sombrio, marcado pela ascensão e queda do império de Pablo Escobar, cujo fim em 1993 não erradicou completamente os desafios de segurança. Agora, a cidade busca uma nova abordagem para o sistema prisional, mirando em um modelo que tem gerado tanto admiração quanto críticas internacionais.
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Características do Novo Centro
A futura prisão terá capacidade para abrigar mais de 1.300 detentos e será gerida por uma equipe de segurança privada, diferenciando-se do modelo tradicional de vigilância penitenciária nacional. O prefeito Frederico Gutiérrez ressaltou que a unidade contará com tecnologia de ponta para impedir comunicações de dentro das celas, visando combater a operação de redes criminosas e esquemas de extorsão que, historicamente, têm se organizado a partir de presídios.
O Modelo Bukele e a Repercussão Regional
O plano de Medellín ecoa tendências em outros países da América Latina, como Equador e Costa Rica, que também têm explorado a construção de prisões de segurança máxima. O modelo salvadorenho, conhecido por suas medidas rigorosas e detenções em massa sob estado de exceção, tem sido defendido por líderes de direita na região. Recentemente, o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, visitou o Cecot e manifestou interesse em uma colaboração para reformar o sistema penitenciário chileno, sinalizando uma crescente influência do conceito.
Segurança em Debate Nacional
A construção da megaprisão ocorre em um momento crucial para a Colômbia, às vésperas de eleições presidenciais. A segurança pública é um dos temas centrais do debate eleitoral, polarizando candidatos com visões distintas sobre como lidar com o crime organizado. Enquanto alguns defendem abordagens mais duras, como a proposta de construir prisões subterrâneas, outros priorizam políticas de paz e negociação com grupos armados.
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A promessa de conclusão da obra para 2027 coloca Medellín na vanguarda de uma nova estratégia de segurança, cujos resultados e conformidade com os direitos humanos serão observados de perto tanto pela Colômbia quanto pela comunidade internacional.
Fonte: Prefeitura de Medellín