O empresário e publicitário Marcos Valério, figura central no escândalo do mensalão, encontra-se novamente sob os holofotes da justiça. Desta vez, Valério é um dos investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em uma operação deflagrada para desarticular um sofisticado esquema de fraudes tributárias que teria lesado o estado em mais de R$ 215 milhões.
A investigação, batizada de Operação Ambiente 186, mira um grupo criminoso suspeito de criar empresas de fachada para sonegar impostos sobre a venda de mercadorias. O foco principal recai sobre atacadistas e redes de supermercados que atuam em Minas Gerais.
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O Mecanismo da Fraude Tributária
Segundo o MPMG, o esquema consistia na simulação de operações interestaduais. Essa manobra tinha o objetivo de reduzir artificialmente o custo das mercadorias, aumentando os lucros dos envolvidos e distorcendo a concorrência leal no mercado varejista. Empresas que operam dentro da legalidade fiscal foram prejudicadas.
A organização criminosa teria se apropriado indevidamente de valores de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que deveriam ser recolhidos aos cofres estaduais. Esses recursos teriam sido convertidos em benefício patrimonial próprio dos investigados.
Marcos Valério: Do Mensalão à Nova Acusação
Marcos Valério ganhou notoriedade nacional como o suposto operador financeiro do mensalão, esquema de compra de votos de parlamentares durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelado em 2005. Por esse caso, ele foi condenado a mais de 37 anos de prisão por crimes como peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
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Posteriormente, entre 2017 e 2018, Valério também respondeu e foi condenado em Minas Gerais pelo chamado “mensalão mineiro”, relacionado ao desvio de R$ 3,5 milhões de estatais mineiras durante a campanha à reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo em 1998. A pena nesse caso foi de 16 anos e 9 meses.
Regime de Pena e Prisão Domiciliar
Valério cumpria pena no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG), quando, em 2018, progrediu para o regime semiaberto após remição de pena por cursos à distância. Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, ele obteve o benefício da prisão domiciliar, que mantém até hoje em sua residência em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.
A Defesa e a Continuidade das Investigações
A defesa de Marcos Valério informou que acompanhou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em sua residência e declarou que se manifestará nos autos do processo após ter acesso completo às informações. O MPMG, por sua vez, não detalhou a participação específica de Valério no esquema atual, mas sua inclusão nas investigações reacende o debate sobre seu envolvimento em atividades ilícitas.
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A operação desta terça-feira (02/12) representa mais um capítulo na longa trajetória de envolvimento de Marcos Valério com investigações criminais, desta vez focado em fraudes tributárias de grande escala no setor varejista de Minas Gerais.