Lula evita o Banco Master e reforça autonomia do BC em meio a escândalo

Lula evita o Banco Master e reforça autonomia do BC em meio a escândalo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu se distanciar do imbróglio envolvendo o Banco Master, que gerou forte pressão sobre a diretoria do Banco Central (BC) após a liquidação da instituição financeira pela autoridade monetária. Aliados do presidente, ouvidos pela Folha de S.Paulo, indicam que Lula não pretende intervir diretamente nem fazer pronunciamentos […]

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu se distanciar do imbróglio envolvendo o Banco Master, que gerou forte pressão sobre a diretoria do Banco Central (BC) após a liquidação da instituição financeira pela autoridade monetária. Aliados do presidente, ouvidos pela Folha de S.Paulo, indicam que Lula não pretende intervir diretamente nem fazer pronunciamentos públicos sobre o caso.

O principal argumento para essa postura é o respeito à autonomia do Banco Central, que, na visão do Planalto, retira o escândalo do escopo de atuação direta do Poder Executivo. Mesmo com a relação próxima entre Lula e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o apoio político do governo a medidas que visam a estabilidade econômica, a avaliação predominante no entorno presidencial é de que o Planalto deve manter uma postura de distanciamento.

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O fato de o caso já tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), com o ministro Dias Toffoli como relator, reforça a cautela do governo. A situação ganhou contornos ainda mais delicados com a revelação de que o Banco Master contratou um escritório ligado a familiares do ministro Alexandre de Moraes para sua defesa, em um contrato de cerca de R$ 3,6 milhões mensais.

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Procuradoria arquiva pedido de investigação contra Moraes

Na segunda-feira (29), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, acatou o pedido e arquivou a solicitação de investigação contra Alexandre de Moraes, apresentada pelo advogado Enio Murad. A decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) encerra, neste momento, a possibilidade de apuração sobre a atuação do ministro em relação ao caso.

Equipe econômica avalia necessidade de posição mais firme

Apesar da cautela presidencial, integrantes da equipe econômica do governo avaliam que os vultosos valores envolvidos nas fraudes atribuídas ao Banco Master justificariam uma posição mais incisiva por parte das autoridades. A estimativa de um prejuízo bilionário reforça, para este grupo, a necessidade de uma resposta robusta e transparente por parte dos órgãos de controle.

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Haddad adota postura intermediária

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem adotado uma linha de atuação intermediária. No dia em que a liquidação do Banco Master foi anunciada, Haddad declarou que a pasta está à disposição para colaborar com o Banco Central, mas evitou tecer comentários diretos sobre a decisão. Ele ressaltou o papel do BC como regulador do sistema financeiro e expressou confiança na solidez do processo que levou à medida.

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“O Banco Central é o regulador do sistema financeiro e eu tenho certeza que, para ter chegado a esse ponto, todo o processo deve estar muito robusto”, afirmou Haddad, indicando que a responsabilidade da Fazenda se limita a gerenciar as consequências da decisão.

Investigações e depoimentos avançam

As investigações sobre o caso seguem em curso. A Polícia Federal está ouvindo depoimentos de Daniel Vorcaro, um dos envolvidos na tentativa de venda do Master, e do ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa. A Fictor, empresa que supostamente tentou adquirir o banco, e seus associados, cujas identidades permanecem sob sigilo, também são alvo de apuração.

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O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, que não é alvo de investigação, também prestará depoimento. Após essa fase, o STF, sob determinação do ministro Dias Toffoli, decidirá sobre a necessidade de acareações entre os depoentes.

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Entenda o caso Banco Master

A liquidação do Banco Master foi decretada em 18 de novembro, após a apresentação de um plano de reestruturação por Daniel Vorcaro. O plano incluía a venda da instituição para a Fictor, uma empresa pouco conhecida no mercado financeiro, associada a supostos investidores dos Emirados Árabes Unidos.

As apurações indicam que, antes mesmo da conclusão do negócio, o Banco Master teria forjado e negociado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado com o BRB. Essas negociações teriam envolvido contratos falsos e valores inflados. O escândalo resultou na prisão de Vorcaro, que permaneceu detido por 12 dias e agora responde ao processo em liberdade, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.

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Fonte: Folha de S.Paulo

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