Durante visita oficial ao Panamá, nesta quarta-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condecorado com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo país centro-americano.
Em seu discurso após receber a medalha, Lula destacou que a política externa deve ser pautada por relações presenciais entre chefes de Estado, em contraposição ao uso de redes sociais e algoritmos.
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Diplomacia de Aperto de Mão
“Um presidente da república não faz negócios, mas um presidente da república abre a porta para os que fazem negócio”, afirmou o presidente brasileiro durante a cerimônia na Cidade do Panamá.
Lula comparou as interações políticas a “reações químicas”, ressaltando que o contato humano direto supera qualquer forma de comunicação digital.
“A relação política, o aperto de mão, o abraço, o olhar no olho, vale mais do que 800 apps. Vale mais do que milhares de e-mails”, declarou, enfatizando a natureza humana das interações políticas.
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“Nós não somos algoritmos. Nós somos seres humanos que reagimos de acordo com a emoção que a gente sente no momento em que a gente está fazendo alguma coisa.”
Críticas a Trump e Defesa da Soberania
A defesa da diplomacia presencial por Lula contrasta com críticas anteriores ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em janeiro, Lula acusou Trump de tentar “governar o mundo pelo Twitter”.
No Panamá, Lula também enviou recados ao líder americano ao abordar o tema de “intervenções militares ilegais”.
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O presidente panamenho, José Raúl Mulino (Realizando Metas), elogiou a relação com o Brasil e com Lula, chamando-o de “amigo” durante a cerimônia.
Acordos Bilaterais e Integração Regional
A visita de Lula ao Panamá resultou na assinatura de diversos acordos bilaterais, com destaque para a facilitação de investimentos, visando dinamizar o comércio e o fluxo de capitais entre os dois países.
Também foram firmados instrumentos de cooperação em turismo, cultura e gestão portuária.
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A agenda incluiu avanços nas negociações para a adesão do Panamá como Estado associado ao Mercosul e a atualização do acordo de serviços aéreos.
A importação de carne brasileira pelo Panamá também foi discutida, com o objetivo de concluir os procedimentos sanitários.
Canal do Panamá e Cadeias Globais de Valor
Um dos pontos centrais do discurso de Lula foi a defesa da integração regional e do apoio brasileiro à soberania panamenha sobre o Canal do Panamá, tema que tem sido alvo de discussões com os EUA.
O presidente informou o envio ao Congresso Nacional da proposta de adesão formal ao protocolo de neutralidade do Canal.
Lula ressaltou a importância de ativos como recursos minerais para as transições digital e energética, defendendo que a região pode se reposicionar nas cadeias globais de valor.
“Desafios como o combate ao crime organizado internacional só podem ser enfrentados em cooperação internacional. Juntos, podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para 660 milhões de latino-americanos e caribenhos”, concluiu.
Fonte: G1