Lewandowski alerta para 'Custo Brasil' maior com classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA

Lewandowski alerta para ‘Custo Brasil’ maior com classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, expressou profunda preocupação com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em declarações à imprensa durante o 14º Fórum de Lisboa, realizado na segunda-feira (1º de junho […]

Resumo

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, expressou profunda preocupação com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Em declarações à imprensa durante o 14º Fórum de Lisboa, realizado na segunda-feira (1º de junho de 2026), Lewandowski destacou as potenciais ramificações econômicas dessa medida para o Brasil.

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“O mercado tem uma extraordinária capacidade de se adequar às circunstâncias cambiantes. É claro que o mercado vai ter que se adequar, inclusive o nosso setor financeiro”, afirmou o ex-ministro, ressaltando a adaptabilidade do sistema econômico.

Aumento do “Custo Brasil” e impacto no consumidor

Lewandowski detalhou que a medida americana tende a ampliar o chamado “Custo Brasil”, que se refere aos encargos e dificuldades adicionais enfrentados pelas empresas no país.

“O que vai acontecer é que o Custo Brasil vai se ampliar. E o Custo Brasil se ampliando, ou seja, o custo das empresas para tomar medidas que as protejam contra o eventual envolvimento com o grupo agora denominado terrorista vai acarretar, na ponta, o aumento das mercadorias e prejudicando o próprio consumidor”, declarou.

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Preocupação do setor privado e investidores

Segundo o ex-ministro, a preocupação no setor privado transcende a defesa da soberania nacional, alcançando diretamente a segurança jurídica e o ambiente de negócios.

“Quando um país é classificado oficialmente por outra potência como sendo um país que abriga organizações terroristas, é claro que ele passa a ser uma espécie de um pária internacional. Os investidores estrangeiros têm muito mais cuidado para investir no Brasil”, explicou.

A apreensão se estende aos investidores brasileiros. Eles precisarão intensificar os procedimentos de conformidade (compliance), seguros e outras medidas administrativas para mitigar riscos.

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“E mesmo porque podem, eventualmente, estar envolvidos com o crime organizado sem saber, recebendo aportes de algum fundo financeiro ou comprando mercadorias de algum setor que esteja fora da legalidade. Então, isso pode ter repercussões muito sérias para a economia”, alertou Lewandowski.

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O Fórum de Lisboa e seus debates

O 14º Fórum de Lisboa, que reúne importantes nomes do cenário econômico, jurídico e político, tem como tema central neste ano “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.

O evento, que ocorre de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa, conta com a participação de figuras como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

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A edição deste ano apresenta um número recorde de palestrantes internacionais, indicando uma mudança de foco e uma maior abertura para discussões globais. O Fórum conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, um selo de reconhecimento institucional.

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Controvérsias e a visão de Gilmar Mendes

O Fórum também é palco de encontros entre empresários e operadores do direito, através de festas e jantares privados. Esses eventos geram críticas por parte de quem os considera inadequados.

No entanto, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, defende essas reuniões como oportunidades valiosas para a troca de experiências e reflexão sobre temas contemporâneos, essenciais para o aprimoramento da magistratura.

Entre os empresários confirmados no evento estão André Esteves (BTG Pactual), Fá bio Chilo (JBS), Luiza Trajano (Magazine Luiza), Luiz Carlos Trabuco Cappi (Bradesco), Ricardo Faria (Grupo Granja Faria), Fábio Gaspar (Shell Brasil), Eduardo Lopes (Nubank) e Anderson Baranov (Norsk Hydro Brasil).

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