A Justiça de Minas Gerais deu um passo decisivo contra um personal trainer em Belo Horizonte, aceitando a denúncia formalizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Vinícius Araújo Antunes, que está preso desde dezembro do ano passado, é acusado de aplicar golpes financeiros em pelo menos 13 alunos na capital mineira, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 500 mil.
A decisão foi proferida pela 6ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte. O MPMG denunciou o profissional pelo crime de estelionato, alegando que ele utilizava métodos fraudulentos para ludibriar suas vítimas.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
O Esquema de Fraudes
Segundo as investigações, o personal trainer abordava seus clientes, a maioria composta por médicas e outras profissionais liberais, alegando problemas técnicos com as máquinas de cartão. Com essa justificativa, ele realizava cobranças repetidas do mesmo valor, configurando a fraude.
Os crimes teriam ocorrido entre 2024 e 2025, período em que o acusado, segundo apurado, enfrentava dificuldades financeiras. Além de atuar em academias renomadas e populares em Belo Horizonte e Nova Lima, o investigado também teria explorado relacionamentos afetivos para expandir seu esquema.
Uso de Relacionamentos e Dados Pessoais
O modus operandi incluía a manipulação emocional de mulheres com quem mantinha envolvimento. Ele as convencia a contratar máquinas de cartão em seus nomes, sob o pretexto de que os valores seriam utilizados para a comercialização de planos de treinamento.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Ex-companheiras do personal trainer também o acusaram de roubar dados pessoais. Essas informações teriam sido usadas para abrir contas bancárias sem autorização, destinadas a receber as mensalidades cobradas indevidamente.
Prisão e Motivação
Vinícius Araújo Antunes foi preso preventivamente em 10 de dezembro de 2025, no bairro Nova Suíça, região Oeste de BH. Na ocasião, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apreendeu quatro máquinas de cartão, dois celulares e um tablet. Durante o interrogatório, o acusado optou por permanecer em silêncio.
A equipe de investigação apontou que o dinheiro obtido com os golpes era supostamente destinado a jogos eletrônicos. As autoridades não encontraram indícios de enriquecimento ilícito, pois o apartamento do suspeito é financiado e o carro que utiliza é locado.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Histórico e Abordagem das Vítimas
A PCMG revelou que o personal trainer já possui um histórico de violência doméstica, com casos enquadrados na Lei Maria da Penha, envolvendo namoradas que também teriam sido vítimas dos golpes. Algumas delas chegaram a solicitar medidas protetivas.
A abordagem inicial das vítimas ocorria frequentemente pelas redes sociais. O personal trainer seguia potenciais clientes e enviava convites para conhecer seus pacotes de treino. Ao verificar o perfil do acusado, as vítimas encontravam diversos amigos em comum, o que criava uma rede de aparente confiança.
“Primeiro ele faz uma rede de confiança. Ele entrou no meu perfil e saiu seguindo muitas pessoas da minha profissão e começou a enviar mensagens profissionais, falando que é especialista em fisiologia esportiva. Quando eu marquei uma aula experimental, ele falou que dava aula para pessoas do hospital onde eu trabalhava. Ele é muito convincente”, relatou uma das vítimas em setembro do ano passado.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Cobranças Duplicadas e Serviços Não Prestados
O próximo passo do acusado era garantir a venda do plano, muitas vezes oferecendo descontos consideráveis para negociações rápidas. Em alguns casos, ele alegava problemas com a operadora do cartão, solicitando o cancelamento e a refação da transação para ajustar prazos ou resolver questões técnicas.
Uma das vítimas contou que Vinícius alegou problemas de saúde na família e pediu para passar o cartão novamente, sem cancelar a cobrança original. A descoberta do golpe ocorreu quando o marido da vítima conferiu a fatura. O prejuízo dela foi de R$ 18 mil.
Em outras situações, o treinador não realizava cobranças duplicadas, mas deixava de entregar o serviço contratado. Após algumas aulas iniciais, ele passava a inventar desculpas, alegando falta de agenda ou problemas pessoais, como a morte de familiares, para justificar o não cumprimento das aulas.
O portal BHAZ tentou contato com a defesa do acusado. Em nota enviada à reportagem, Vinícius Araújo Antunes negou os delitos, afirmando que ainda não havia sido intimado para prestar esclarecimentos e nem teve acesso aos materiais da investigação.
Fonte: BHAZ