Juruaia: Como uma cidade mineira trocou o café pela lingerie e virou potência nacional

Juruaia: Como uma cidade mineira trocou o café pela lingerie e virou potência nacional

Da lavoura cafeeira à indústria da moda Juruaia, uma cidade outrora dependente da sazonalidade do café no Sul de Minas, protagonizou uma reviravolta econômica surpreendente. No final dos anos 1980, a economia local era marcada pela colheita do grão, mas o cenário começou a mudar drasticamente. A transição para um polo de moda íntima, que […]

Resumo

Da lavoura cafeeira à indústria da moda

Juruaia, uma cidade outrora dependente da sazonalidade do café no Sul de Minas, protagonizou uma reviravolta econômica surpreendente. No final dos anos 1980, a economia local era marcada pela colheita do grão, mas o cenário começou a mudar drasticamente. A transição para um polo de moda íntima, que hoje produz milhões de peças anualmente, é uma história de empreendedorismo feminino e resiliência.

O início: o legado de Marilza e a expertise de Coveen

A virada teve um marco inicial com a chegada de Marilza e Alencar no início dos anos 1990. Eles fundaram a primeira confecção da cidade, compartilhando seus conhecimentos e ensinando o ofício a outras mulheres. A máquina de costura pioneira de Marilza hoje é um símbolo histórico na prefeitura. Pouco depois, a chegada da Coveen, com Alice e Beliza, trouxe experiência em modelagem, costura e gestão, aprimorando ainda mais as habilidades das juruenses.

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O crescimento: de mulher para mulher, de geração em geração

Quando a Coveen encerrou suas atividades em 1997, suas ex-funcionárias, munidas do conhecimento adquirido, abriram seus próprios negócios. Esse modelo de emancipação feminina impulsionou o crescimento do polo, que se expandiu organicamente, de dentro para fora, passado de mulher para mulher e de geração em geração. A força feminina se tornou a espinha dorsal da indústria de lingerie de Juruaia.

Estruturação e projeção: ACIJU e Felinju

Em 1997, a necessidade de formalizar e fortalecer o setor levou à criação da Associação Comercial e Industrial de Juruaia (ACIJU). Liderada inicialmente por Rosana Aparecida Marques, a ACIJU reuniu as então onze ou doze confecções existentes com o objetivo de defender e amparar o empresariado local. Um ano depois, em 1998, nasceu a Feira de Lingerie de Juruaia (Felinju), um evento que, de um modesto galpão, se tornou o principal vitrine da produção da cidade para todo o Brasil.

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Resiliência em tempos de crise e pandemia

Ao longo de quase três décadas, o polo de Juruaia enfrentou diversas crises econômicas e a forte concorrência. No entanto, a indústria mineira de lingerie demonstrou uma notável capacidade de adaptação. O maior teste recente veio com a pandemia de Covid-19 em 2020. A ACIJU, em tempo recorde, organizou a primeira feira digital de moda íntima do país, alcançando R$ 5 milhões em vendas e mais de 200 mil visitantes virtuais. As confecções se reinventaram, produzindo máscaras, o que garantiu a continuidade das operações e até impulsionou o crescimento, saindo do período pandêmico mais fortes.

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Um polo de referência nacional

Atualmente, Juruaia é responsável por cerca de 15% da produção nacional de peças íntimas, com centenas de confecções ativas, a maioria liderada por mulheres. A Felinju, reconhecida em 2022 como Patrimônio Cultural de Minas Gerais, consolidou a cidade como um destino obrigatório para o setor. A trajetória de Juruaia é um testemunho do poder da colaboração, da inovação e da força do empreendedorismo feminino mineiro, transformando um cenário cafeeiro em um vibrante centro de moda.

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Fonte: Estado de Minas

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