O ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT), avalia que a comunicação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda enfrenta desafios significativos em sua eficácia. Segundo ele, a recente troca no comando da Secretaria de Comunicação (Secom), com a saída de Paulo Pimenta e a chegada do marqueteiro Sidônio Palmeira, trouxe melhorias, mas não o suficiente para reverter a estagnação na aprovação do governo.
“A comunicação melhorou depois que o companheiro Sidônio entrou. Isso é evidente. Mas a eficácia ainda é limitada. A aprovação não conseguiu ficar maior que a desaprovação. Continua no empate, e isso é um problema”, declarou João Paulo Cunha em entrevista ao Poder360.
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As críticas do petista ocorrem em um momento delicado para o Palácio do Planalto. Pesquisas recentes indicam que Lula estaria numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno presidencial, embora dentro da margem de erro, o que acende um sinal de alerta para a base governista.
Para o ex-deputado, a equipe de comunicação governamental falha em apresentar com clareza e capilaridade os programas sociais e as ações do Executivo para a população de baixa renda, que seria o público principal desses benefícios.
“A minha impressão é que a comunicação não chega na ponta. Não é capilar, não é nacional. A gente não consegue falar com as pessoas que são beneficiadas pelos programas. O presidente insiste que talvez seja o melhor mandato dele, pela quantidade de coisas que está fazendo. Mas não muda. A rotação fica ali, na mesma”, lamentou.
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João Paulo Cunha, aos 67 anos, tem uma longa trajetória política ao lado de Lula, desde os tempos do movimento sindical metalúrgico no ABC Paulista. Foi o primeiro petista a presidir a Câmara dos Deputados, em 2003, no início do primeiro mandato de Lula. Ele permaneceu como deputado federal por cinco mandatos, até 2014.
Condenado no escândalo do Mensalão e preso na época, suas condenações foram posteriormente anuladas. Durante o período de afastamento da vida pública, dedicou-se a estudos jurídicos, concluindo graduação, pós-graduação e mestrado na área.
Em 2026, João Paulo Cunha pretende retornar à Câmara dos Deputados, uma decisão pessoal que, segundo ele, também foi incentivada por Lula. Sobre o Poder Judiciário, o ex-deputado diverge das críticas generalizadas feitas pela oposição, mas reconhece a existência de excessos e extrapolações de competência entre os Poderes.
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“É o momento da gente tomar um certo cuidado. O Legislativo pega atribuições do Executivo. O Judiciário pega do Legislativo e do Executivo. E o Executivo quer legislar. Precisa de um novo arranjo, um novo pacto republicano”, defende.
Em relação à polarização política, João Paulo Cunha avalia que as pesquisas que mostram cenários desfavoráveis a Lula refletem o momento de extremismo, mas o que mais o preocupa é a série histórica que aponta um empate técnico entre aprovação e desaprovação, indicando uma estabilidade na percepção do eleitorado.
Ele também aponta falhas na mobilização e organização do PT e da esquerda brasileira, que, segundo ele, têm buscado o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público (MP) em vez de dialogar diretamente com a população e os trabalhadores.
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Contrariando a ideia de cansaço com a figura de Lula, João Paulo Cunha acredita que o presidente tem capacidade de se reinventar e apresentar propostas que ressoam com a população. Para ele, o objetivo do governo deve ser demonstrar os avanços realizados e a necessidade de continuidade para implementar mudanças estruturais e reindustrializar o país, projetando esperança para o futuro.
Fonte: Poder360