Dois incidentes distintos ocorridos na terça-feira (3) aumentaram o nível de alerta no Estreito de Ormuz, ponto estratégico na costa do Irã e palco de crescentes tensões entre os Estados Unidos e o país persa.
Drone abatido e petroleiro interceptado
Primeiramente, um drone iraniano foi neutralizado após se aproximar perigosamente do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln. Horas depois, embarcações iranianas tentaram apreender um petroleiro que navegava sob bandeira dos EUA, mas a ação foi frustrada pela intervenção americana.
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Estratégia de teste e dissuasão
Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um influente think-tank americano especializado em questões militares, ambas as ações foram orquestradas com o objetivo de testar a capacidade de reação das Forças Armadas dos Estados Unidos. O ISW sugere que essas manobras podem sinalizar o início de uma escalada marítima por parte do Irã, visando dissuadir um eventual ataque americano através da demonstração de sua aptidão para desafiar a presença naval dos EUA na região.
O instituto detalha que tais ações de “sondagem” têm como propósito avaliar a força, a disposição e as respostas de uma força adversária. O ISW alerta que esses eventos podem marcar o início de uma escalada marítima iraniana, que busca dissuadir um ataque dos EUA por meio de demonstrações de capacidade de desafiar a presença naval norte-americana na costa iraniana.
Escalada militar e negociações em andamento
A presença militar na região foi intensificada com o envio de pelo menos 10 navios de guerra americanos, incluindo o USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque, a mando do presidente Donald Trump. A escalada visa pressionar o regime iraniano a negociar um acordo que limite seu programa nuclear. Contudo, apesar dos incidentes, uma rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã está agendada para sexta-feira (6) no Omã, com a participação de outros países regionais.
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Histórico de tensões e o programa nuclear
O impasse entre EUA e Irã se intensifica devido à defesa iraniana de seu direito ao enriquecimento de urânio, alegando um propósito pacífico para seu programa nuclear, algo que EUA e Israel contestam. Trump tem utilizado recentes protestos contra o regime de Ali Khamenei como plataforma para pressionar o Irã a retornar à mesa de negociações. Os EUA se retiraram do acordo nuclear de 2015 assinado na gestão de Barack Obama, acusando o Irã de financiar grupos terroristas.
Detalhes dos incidentes
O abate do drone, um modelo Shahed-139, ocorreu quando um caça F-35 americano decolou em “legítima defesa” para proteger o porta-aviões. Por outro lado, a tentativa de apreensão do petroleiro Stena Imperative envolveu lanchas armadas iranianas que, segundo o Irã, adentrou águas territoriais sem permissão. Agências de monitoramento marítimo, no entanto, desmentem essa versão, afirmando que o navio estava em águas internacionais. O ISW aponta que o petroleiro pode ter sido escolhido por já ter sido usado para reabastecer navios militares dos EUA.
Fonte: G1
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