O Irã classificou qualquer intervenção estrangeira em seus assuntos internos como uma “linha vermelha” e uma ameaça à estabilidade regional, após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometer apoio aos manifestantes. A República Islâmica confirmou as primeiras seis mortes em protestos que eclodiram no domingo, motivados pelo aumento do custo de vida e pela desvalorização da moeda, e relatou prisões em diversas cidades.
Ameaças de Trump Desencadeiam Resposta Iraniana
Em declarações publicadas na rede social Truth Social, Trump afirmou que os Estados Unidos “sairiam em resgate” dos manifestantes caso o governo iraniano usasse violência letal. “Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro. Estamos com as armas preparadas e carregadas, prontos para agir”, escreveu.
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As palavras de Trump provocaram reações imediatas de assessores do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Ali Shamkhani, conselheiro de Khamenei, declarou no X (antigo Twitter) que “qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta”. Ele enfatizou: “A segurança do Irã é uma linha vermelha”.
Outro conselheiro, Ali Larijani, advertiu que “qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos”. Ele acrescentou um aviso direto a Trump: “Que tenha cuidado com seus soldados”.
Contexto dos Protestos e Crise Econômica
Os protestos atuais, que começaram com o fechamento de estabelecimentos comerciais em Teerã, rapidamente se espalharam por cerca de 15 cidades, principalmente no oeste do país. O principal gatilho é o aumento expressivo no custo de vida, agravado pela inflação crônica e pela desvalorização acentuada do rial iraniano frente ao dólar, que perdeu mais de um terço de seu valor no último ano. O país já sofre há anos com sanções internacionais que impactam sua economia.
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O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu a legitimidade das reivindicações dos manifestantes e instruiu seus funcionários a atenderem às demandas populares. No entanto, alguns oficiais alertaram para a possibilidade de uma resposta firme caso a instabilidade persista. “De uma perspectiva islâmica (…), se não resolvermos o problema da subsistência das pessoas, acabaremos no inferno”, disse Pezeshkian em um pronunciamento televisivo.
Tensões Geopolíticas e Histórico de Instabilidade
As autoridades iranianas demonstram preocupação com a possibilidade de que a inquietação interna possa ser explorada por potências estrangeiras. Anteriormente a Trump, a agência de inteligência de Israel, Mossad, também publicou uma mensagem de apoio aos manifestantes, sugerindo que os apoiavam “em campo”.
O movimento de protesto ocorre em um momento de fragilidade para o Irã, após recentes reveses de seus aliados regionais em Gaza, Líbano e Síria. Ademais, em setembro, a ONU restabeleceu sanções contra o programa nuclear iraniano, um ponto de atrito constante nas relações com potências ocidentais, que suspeitam que Teerã busca desenvolver armas nucleares, algo que o Irã sempre negou.
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As manifestações atuais são, por ora, menores em escala do que as que ocorreram no final de 2022, após a morte de Mahsa Amini, que desencadearam uma onda de protestos com centenas de mortos. O Irã também vivenciou grandes manifestações em 2019, motivadas pelo aumento dos preços dos combustíveis.
Fonte: G1