O vereador Rony Gabriel (PL-RS), influenciador digital, denunciou ter recebido uma proposta para gravar e divulgar conteúdos em redes sociais com o objetivo de defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC). A oferta, segundo Gabriel, partiu de uma empresa que se apresentou como responsável pelo “gerenciamento de reputação de um grande executivo” e buscava contratar influenciadores para uma campanha.
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o vereador relatou que o contato ocorreu em 20 de dezembro do ano passado. Ele afirmou que a empresa ofereceu “uma boa quantia em dinheiro” para que ele participasse da ação. Apesar de ter recusado a proposta, Rony Gabriel acredita que outros influenciadores aceitaram e foram contratados.
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O objetivo da campanha, de acordo com o vereador, seria culpar o Banco Central pela crise de liquidez que levou à decretação de liquidação do Banco Master, instituição comandada por Daniel Vorcaro, no fim de 2025. A ideia seria também disseminar a impressão de que não havia irregularidades no Master.
O contrato apresentado por Gabriel previa multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento de cláusulas de confidencialidade. A denúncia, publicada inicialmente pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, aponta que a reportagem do Metrópoles sobre o caso Master foi usada como exemplo de conteúdo a ser difundido.
Ataques Coordenados e Alvos Específicos
A Folha de S. Paulo também noticiou o caso, indicando que pelo menos 46 perfis na internet estariam promovendo ataques ao Banco Central e a investigadores. Entre os alvos da campanha estariam Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, que recomendou o veto à compra do BRB pelo Master.
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O presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações do setor financeiro que defenderam a decisão técnica de liquidar o Master, também teriam sido alvos.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e outras entidades emitiram nota em defesa da autoridade monetária, demonstrando preocupação com o estilo incomum dos ataques e a preservação da autoridade técnica do BC para evitar instabilidade.
Movimentações Incomuns no Caso Master
Os ataques ocorrem em um contexto de movimentações consideradas incomuns no caso Master, envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU).
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No início de dezembro, o ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF, decretou sigilo máximo às investigações contra executivos do Banco Master. Isso ocorreu dias após Toffoli viajar em um jatinho particular para a final da Libertadores, em Lima, ao lado do advogado de um dos empresários do banco liquidado.
Posteriormente, o TCU também entrou na discussão. A análise de documentos do BC sobre a liquidação do Master pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso na corte, foi considerada inadequada por especialistas.
Análise de Especialistas e Conflito Político
Luiz Henrique Cadermatori, professor de Direito da UFSC, classificou a situação como inédita na história da República, onde um órgão fiscalizador exerce controle sobre outro, em poderes independentes. Ele ressaltou o conflito político inerente à atuação do TCU, cujos membros são escolhidos politicamente, em contraste com a natureza eminentemente técnica do Banco Central.
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O professor alertou que, embora a repercussão no TCU seja moral e politicamente questionável, não há impedimento jurídico prévio para esse tipo de intervenção. Chama atenção o perfil do ministro relator no TCU, que, como deputado, apresentou emendas parlamentares que estariam sob investigação.
Apesar das críticas legítimas ao Banco Central, como a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, a atuação em relação ao Banco Master tem sido considerada técnica e correta. É justamente nesse cenário de ação técnica que surge a ofensiva midiática, levantando suspeitas sobre os motivos e os poderosos personagens ligados ao Master por trás dessa campanha inédita.
Fonte: O Globo